300 – A Ascensão do Império: desnecessário, mas não tão ruim

10 mar

 

É de conhecimento público que em algum universo paralelo sou uma prostituta barata e 300 é o meu cafetão.

O que posso dizer? O filme conseguiu atingir níveis altíssimos de excelência. A história de um rei que vê uma sombra gigantesca se formar e prometer encobrir sua terra, seu povo e sua história e como única alternativa, bate de frente com essa sombra, perece em campo de batalha, mas consegue salvar tudo aquilo que lhe foi ameaçado. 300 é um filme lindo. Leônidas e mais 300 soldados de sua guarda pessoal enfrentando alguém que se diz ser um deus-rei e um exército de centenas de milhares. Um filme de honra, glória, sacrifícios e valores. Há também a carnificina e os abdomens sarados, mas isso é um tema para outro post. O que quero dizer é: 300 é um daqueles filmes de moldar caráter.

Fiquei feliz ao saber que um novo filme da linha 300 iria ser produzido. O filme chegou aos cinemas e lá estava eu ajudando a financiar isso.

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Tudo indicava que seria um filme que contaria a origem do Xerxes e de como as coisas foram acontecendo até que se chegassem aos belos momentos acontecidos nas Termópilas e retratados no primeiro filme, mas não. A origem do deus-rei é contada em 10 minutos de filme. O restante é uma mistura de “orra, que legal”, “olha só o Leônidas! Yes!” e “wtf?”.

Meu maior medo se realizou: fizeram dos outros gregos soldados tão fenomenais quanto os espartanos. Não aceito isso. Desde sempre me é contada a história de que enquanto o restante da Grécia estava ocupada fazendo poemas e política, os espartanos passavam a vida treinando com armas e aperfeiçoando seus corpos (mais especificadamente, seus abdomens) para se tornarem os mais mortíferos e hábeis soldados.  Isso fica muito claro no primeiro filme. Enquanto os demais exércitos são compostos por camponeses e uma fração de soldados medianos, o exército de Esparta conta com seus melhores soldados. Esculpidos em armas, sangue e suor.

Ver um exército grego descendo uma colina com armas em suas mãos, usando capa azul e liderados por um Leônidas muito genérico, quase me fez vomitar.

Não gostei dos soldados gregos sendo bons, não gostei das batalhas marítimas (faz sentido, mas é chato), não gostei de terem diminuído a importância de Leônidas e seus 300.

O filme é bem legal para quem gosta de sangue. Aparentemente, 7 anos desde o lançamento do primeiro filme fez com que as técnicas de inserir sangue digital em tela melhorassem. Nunca vi tanto sangue na minha vida.

Ah, lembrei de uma vez que arranquei uma casquinha de uma picada de pernilongo no meu braço. Teve bastante sangue daquela vez, também.

 A Artemisia, a verdadeira vilã do filme e quem controla o Xerxes, não foi uma personagem tão boa, mas mesmo assim tinha um belo par de seios. Parabéns para a Eva Green.

300: BATTLE OF ARTEMESIUM

Reclamei das batalhas em alto mar, mas elas tiveram momentos interessantes. Acho que o que não gostei foi de soldados se enfrentarem fisicamente em cima de um barco balançando. Se vai ser desse jeito, deixem só os comandantes e remadores nos barcos e vamos todos nos matar em terra firme, galera.

Tirando uma cena com um cavalo pulando de barco em barco no meio do mar, o final do filme foi legal. Chorei quando os barcos espartanos chegaram.

Aliás, falando em barcos espartanos e choro, o que a viúva do Leônidas, a Gorgo, estava fazendo de vestido e espada na mão, matando persas com a fúria e habilidade de um soldado? Isso não faz sentido. Ela não recebeu treinamento e estava matando 2 vezes mais inimigos do qualquer outro ali. Se tivessem enviado ela para a Batalha das Termópilas, Leônidas e seus bravos espartanos (nunca esqueceremos) estariam vivos e fazendo abdominais em Esparta.

Com sangue, água e coisas sem muito sentido, 300 – A Ascensão do Império ganha 8 Xicarazinhas.

08

Eu estava curioso sobre qual seria a explicação para o Xerxes. No trailer aparece o Rodrigo Santoro de barba, cabelo e estatura de um homem normal. Como ele teria se transformado naquele travesti gigante, dourado e afetado? Bom, uma piscina de ouro e poderes ocultos mal explicados o fizeram daquele jeito. Poderia ser pior.