A pilha do mouse explodiu e quase perdi a mão

29 jul

Num momento você está twittando e no outro está em estado de choque causado por uma explosão.

A vida como ela é.

Há uns três meses atrás, meu teclado estava dando problemas. Devido a exorbitante quantidade de café que já derrubei nele, era compreensível. As teclas dele estavam falhando e em algumas áreas (as mais atingidas por café) as teclas estavam grudando no fundo dele. Digitar estava sendo um inferno.

Após passar ódio por não conseguir escrever um genial tweet, decidi que precisava trocar de teclado. No mesmo dia fui comprar um outro. Nenhum modelo me agradou muito, mas um kit composto por teclado + mouse sem fios estava por ali, pouca coisa mais caro que apenas teclados e eram elegantes. Eu não precisava do mouse, mas porquê não? Comprei o tal kit. Imaginei que seria uma “preocupação” a mais se preocupar com as pilhas, mas já passo por isso com o controle do Xbox, então não dei importância.

No começo, foi tudo lindo. Claro, meus dedos precisaram se adaptar ao novo teclado e o novo mouse era bem menor que o antigo, mas nada que algumas horas não resolvessem. Eu estava feliz. Realmente me lembro de um sorriso de felicidade estampando meu rosto. A vida prega essas peças. A vida nos testa.

Eu não sabia ainda, mas aquele mouse que minha mão direita estava aprendendo a manusear, meses depois, iria quase explodir a mesma mão.

minha mão estava em cima de uma bomba relógio

minha mão estava em cima de uma bomba relógio

 

Meu faro jornalístico nunca decepciona. Já fazem duas semanas que estou pensando em fazer um post sobre o mouse e hoje me acontece isso. Sou muito bom, cara. Se a Lois Lane pode ganhar um Pulitzer por um texto qualquer sobre o Superman, porque não posso ganhar um, também?

O tal mouse estava me incomodando muito. O botão esquerdo dele estava “prendendo”. Eu clicava e ele continuava “clicado”, sabe? Não voltava a sua posição inicial. Eis outro inferno.

Enfim, hoje aprendi a valorizar minha mão direita. É como aquelas pessoas que passam por uma situação de quase morte e começam a ver a vida de uma outra maneira. Percebem que a brincadeira pode acabar bem antes do que se imaginava e aproveitam o máximo que podem.

Se eu soubesse que iria quase perder minha mão hoje, ontem teria feito muito mais coisas legais com a mão direita (eu sei o que você pensou, fdp). Iria fazer flexão usando apenas o braço direito, iria apertar a mão de mais pessoas, iria tentar meu grande sonho de fazer gol no Fifa usando apenas uma mão, iria sair chicoteando as pessoas na rua, iria usar apenas a mão direita para pegar a xícara de café, iria participar de uma competição de Dedão de Ferro, iria lamber os dedos para virar as páginas de revistas, iria dar tapas em bundas femininas alheias e usar a mesma mão para me defender das agressoras, teria empunhado uma espada e desafiado bêbados para um duelo e teria feito a mão direita se despedir da mão esquerda.

adeus

adeus

 

O dia, até então, estava sendo normal. Acordei, peguei o celular, levantei da cama e tomei um banho, peguei uma xícara de café e liguei o computador. Dei uma olhada rápida e comecei a ler a timeline. Controlando a decida da barra de rolagem com as setas do teclado, deixei a mão direita descansando sobre o mouse. Isso poderia ter me custado caro.

Feito os portões que separam o inferno da nossa realidade sendo arrombados pelo martelo do deus Thor, um estralo muito alto foi ouvido. Como sou dotado de sentidos apurados, identifiquei que o tal estralo retumbante tinha vindo do meu mouse, onde inocentemente e de maneira elegante, estava pousada minha mão direita. Com movimentos rápidos e precisos, derrubei o mouse no chão.

Ao cair de uma altura considerável, a tampa do compartimento de pilhas dele se separou e então pude ver o que tinha acontecido. Uma das duas pilhas tinha estourado dentro do mouse. Não me pergunte como ou o motivo disso, mas ela estourou. Tomado pela adrenalina, agi impulsivamente e fui socorrer o mouse, mas a tal pilha que tinha estourado, estava chiando e algo estava vazando dela. Sério, parecia que eu estava socorrendo alguém que tinha caído dentro de um tanque com radiação.

Com medo de ser contaminado, usei de minha ágil mente e busquei uma alternativa. Nunca decepcionando, minha mente deu a solução: use as grossas luvas de moto que você tem. Após garantir minha segurança contra a radiação, utilizando a ponta de uma caneta, consegui tirar a pilha.

Após livrar o mouse da presença da pilha maldita, tirei as luvas de proteção (depois de hoje, não são mais luvas de moto), ainda no chão, me recostei na parede, percebi que minha mão direita estava tremendo (estresse pós traumático) e tentei absorver o que tinha acontecido. Deuses, eu fui incrível. Agi com frieza e sabedoria.

Agora que penso, devo ter aprendido a agir com frieza em situações críticas como essa ao assistir o mais sensacional começo de episódio de todas as séries que já assisti:

Obrigado por me ensinar a agir com segurança, The Office. Comecei a assistir a série por que era muito engraçada e hoje ela pode ter me salvado.

Ainda muito traumatizado e abalado, não consegui voltar a usar o mouse. Recorri ao mouse antigo, porém seguro. Tinha me esquecido do quão bom ele é.

Com isso, me despeço, mas antes, lhes passo uma mensagem: aproveitem suas mãos, não confie em mouses e assistam The Office.

 

imagens reais

imagens reais