Axl Rose errou ao driblar a morte?

23 maio

Esse post, o blog em que ele foi originalmente publicado e a pessoa que o escreveu não querem, de maneira alguma, deixar a entender que desejam a morte do Axl Rose.

Somos formidáveis, mas não o bastante para julgar merecimento de mortes alheias. 

Axl-Rose-November-Rain

Como minhas professoras de Português faziam questão de repetir, uma boa história precisa de um início, um meio e um fim. A vida, também.  A diferença é que a vida é uma vadia cruel e sem coração.

Nada pode ser perfeito para sempre. Se pudesse, o Paulo André ainda seria zagueiro do Corinthians, Cliff Burton ainda seria baixista do Metallica, Alexandre Pires jamais teria saído do Só Pra Contrariar e o café jamais esfriaria na xícara enquanto você se esforça para manter um ritmo na escrita de um post sobre a decadência de um vocalista de hard rock. A vida também não é justa. Se fosse, Space Jam seria considerado um filme tão bom quanto O Poderoso Chefão, eu não sofreria com falta de espaço em disco no celular, minha melhor cadeira não estaria quebrada e não teria copa.

AxlCopa

Em O Cavaleiro das Trevas (segundo filme da trilogia Batman que o Nolan fez), algum personagem que não me lembro exatamente qual (talvez o Batman, mas acho que o Duas Caras), manda a frase:

Ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar vilão.”

É uma boa frase, sim e em algum momento da minha vida na internet, vi alguém aplicando essa frase a vida do Axl Rose. Achei um pouco forte, mas não pude me impedir de pensar nisso. Com o passar do tempo, a frase voltava a aparecer na minha cabeça a cada apresentação que eu assistia daquele cara que um dia tinha sido o Super Axl Rose. Deixarei essas duas aqui como exemplo:


Ambas as apresentações são de shows que o Guns N’ Roses fez no Brasil no começo desse ano.

“Ah, mas ele nem está TÃO ruim assim…”

Até está, mas como ele já esteve muito pior, acabamos dando um desconto.

Você pode vir com a desculpa de que “ele poderia não estar num bom dia”, “é normal que ele não esteja mais na mesma forma que o Axl Rose no auge da carreira” e “tirando a parte da dancinha, é aceitável”, mas não. Nenhuma desculpa será aceita aqui. Esse post foi pensado e construído com o objetivo de julgar e refletir sobre a vida.

Hipoteticamente, se ele tivesse morrido logo após o fim da turnê Use Your Illusion (uma baita turnê, aliás) que o Guns fez , hoje o amigo Axl Rose seria considerado um deus maior que qualquer outro. Pense só: o vocalista de uma das maiores bandas da atualidade, jovem, no auge da carreira, amado mais do que tudo pelas fãs e de shortinho colado. Caras, uma nova Bíblia seria escrita com Axl Rose no lugar de Jesus Cristo e atrás da cruz, estaria o Slash tocando o riff de Sweet Child O’mine enquanto pessoas amarravam bandanas na cabeça.

Um anjo de cabelos loiros, shortinho colado, rosto de menina e muito marra.

ax

 

Mas não. A vida seguiu, para ele e para nós. A morte não aconteceu e no lugar dela, as fiandeiras teceram uma linha cinzenta na vida do Axl Rose.

Fica aí o questionamento: vale a pena se tornar uma sombra do que um dia já foi? Uma lembrança puída? Devemos apenas aceitar a decadência humana e sermos felizes? Morrer como herói ou se tornar vilão?

A verdade é que eu ainda seria capaz de ir num show do Guns N’ Roses. Mesmo que apenas para ficar gritando “Coloca o shotinho! Coloca o shortinho, Axl!” do lado do palco.