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Fiz um gesto obsceno para um cachorro

15 jul

Cachorros nunca gostaram de mim.

– Você deve ter sido o cara da carrocinha em alguma outra vida – disse minha mãe em meio a cruéis risos certa vez após um cachorro de rua tentar dilacerar minha garganta.

Durante minha vida inteira tive que lidar com esse ódio canino. O Mickey, cachorro que ganhei de presente no meu aniversário de 1 ano de idade, em um dos atos mais nojentos de traição que já vi, mordeu minha mão esquerda. Um cachorro que cresceu praticamente junto comigo, vivendo as mesmas aventuras, correndo juntos pelo quintal, parceiros de vida e companheiros há tantos anos, teve a coragem de rasgar minha mão (a mesma mão que tanto fez carinho nele!) feito um animal sem amor enviado do inferno.

Até hoje tenha a cicatriz!

Não gosto de falar muito disso. Nosso relacionamento nunca mais foi o mesmo após esse incidente. Ele era meu cachorro e me mordeu. Considero uma traição, sim. Fiquei muito triste com sua morte, mas sinceramente? Nunca o perdoei por aquela mordida. No fundo do meu coração, ainda há mágoa. Aonde quer que esteja, espero que ele saiba como me sinto. Ele merece a verdade.

Mas é isso aí, não? Vida que segue.

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eu e o mickey

 

Acostumado com tanto ódio por parte de cães, segui a vida da melhor forma que pude. De cabeça erguida, sempre atento e disposto a ignorar esse ódio e se possível, transformá-lo em algo produtivo.

Li em algum lugar que “guardar” um sentimento ruim durante tanto tempo pode te prejudicar no futuro. De alguma forma, o sentimento ruim, armazenado precariamente no seu coração, iria passar por uma estranha reação e se transformar, sei lá, em um câncer. Não sei se isso tem fundamento científico. Espero que não e espero que a ciência use seus recursos de uma maneira menos imbecil.

Não posso dizer que me livrei de um hipotético futuro câncer, mas posso dizer que me senti aliviado com o que fiz.

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Já há alguns dias, decidi passar menos tempo no meu formidável quarto e dar uma olhada nas belezas do meu bairro (risos). Durante a tarde, habilmente calço meu tênis, coloco algo decente para tocar no celular e saio andando. Estou dando uma volta absurda para dizer que comecei o hábito duvidoso de caminhar? Sim.

Mas não é esse o ponto desse texto!

Em uma determinada rua do meu trajeto (sim, tenho um trajeto), cães marcam presença nela e como já muito comentado aqui, cães não gostam de mim. Não é preciso ser alguém criativo para imaginar o que acontece.

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Eu poderia muito bem evitar tudo isso e simplesmente mudar meu trajeto e não passar nessa determinada rua, certo? Mas o que isso faria de mim? Qual mensagem eu passaria para o universo? Quão ridiculamente pequeno se tornaria meu orgulho?

Não. Sinto que as vezes posso ser repetitivo nisso, mas mesmo assim continuo batendo na mesma tecla e digo: orgulho é tudo. A vida e Uhtred de Bebbanburg me ensinaram isso. Dia após dia, continuo passando pela mesma rua. Os mesmos cães tentam me amedrontar e sempre lido com eles.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem.

Salmos 23:4

A vida é fascinante. Pode parecer que não, mas ela gosta de recompensar as pessoas boas. Recentemente, recebi minha recompensa.

Estava eu, incrível e formidável, passando pela rua dos cães quando notei que um dos cachorros que mais demonstravam ódio e vontade de me rasgar ao meio com dentes e presas, não estava ali.

– Satanás o levou de volta para seu canil particular? – pensei.

Não, Satanás deve ser um cara muito ocupado e ainda não teve tempo de vir buscar o tal cachorro. Ele estava ali, mas não como gostaria.

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surprise, mothafucka

 

HAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA!

Que fantástica invenção humana essa que te mantém preso dentro do quintal, longe da rua e por consequência, longe da minha garganta, não?

Sem realmente pensar nos meus atos, agi.

Com elegância nos gestos e triunfo no olhar, devagar e saboreando o momento, ergui o braço esquerdo, movi a mão com experiência e um único dedo, sozinho, mas vitorioso, se ergueu para completar o ato.

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E assim, fiz um gesto obsceno para um cachorro.

Segui meu caminho com orgulho renovado e um sorriso no rosto.

 

Repararam na poesia que se esconde através do gesto? A mesma mão que um dia foi alvo de uma traição canina, anos depois, foi usada para se vingar. Isso é lindo.

 

E se meu azul é mais azul que o seu?

28 maio

Refleti pela primeira vez sobre isso ainda muito jovem. Uma criança bonitinha que gostava mais de jogar Super Nintendo do que sair na rua para brincar com as crianças feias tinha bastante tempo para refletir sobre coisas da vida, afinal de contas.

E se, por qualquer que seja o motivo, quando eu olho para algo, vejo isso em um determinado tom de cor e você (ou qualquer outra pessoa feia) ao olhar para a exata mesma coisa, enxergue aquilo em uma cor diferente daquela que enxerguei?

Azul

Confuso, não?

Devo ter tido muito tempo para pensar em toda a sorte de problemas que se escondiam por trás dessa simples suposição infantil.

É possível que na escolinha, ao emprestar um lápis de cor, eu estivesse pegando um que eu acreditava ser vermelho e na verdade, estivesse pegando um lápis que outro coleguinha conhecia pelo nome de vermelho, mas que de acordo com meu ponto de vista, não fosse vermelho? Sim.

Essa ideia de que pessoas alheias pelo mundo possam olhar para a mesma coisa e enxergar cores diferentes me assustou. Não demorou muito e imaginei testes sendo feito em laboratórios imaculadamente brancos e globos oculares sendo transferidos entre pacientes para que testes de “pra você, que cor é essa?” fossem feitos.

Os pacientes poderiam receber apenas um globo ocular de outra pessoa e permanecer com um globo ocular original de fábrica. “Feche o olho esquerdo e me diga que cor você vê ao olhar para aquele quadro na parede. Verde claro? Bom, muito bom. Agora feche o olho direito e diga que cor está vendo ao olhar para o mesmo quadro. Laranja? Perfeito.”

Imagine só que toda sua vida possa ser uma mentira e todas as cores que você supostamente conhece, estão erradas?

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Amigos, não sei mais o que dizer. É grande demais para mim (that’s what she said!) e só de pensar nisso, já fico boquiaberto (that’s what she said!).

Deixo-lhes essa ideia. Espero que um dia surja uma resposta sobre isso. Espero, também, que as cores que conheço estejam certas.

 

Formigas suspeitas

30 abr

Xícara de café na mão, pensamentos formidáveis na cabeça e caminhando elegantemente até minha mesa. Coloco a xícara de café um pouco mais a esquerda e após estar sentado na minha cadeira não tão confortável, dou início ao processo de ligar o computador.

Foi aí que as vi.

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Minha visão periférica treinada com afinco desde o momento em que aprendi a olhar torto para gordas, detectou algo. Rapidamente meu cérebro processou e então entendi.

Elas tinham voltado.

Aparentemente, após receberem tantas baixas através de meus punhos, o exército de formigas se reuniu e juntas, decidiram recuar por algum um tempo. Fortalecer o exército e só então retomar a ideia de conquistar a mesa que chamo de minha. Como elas bem sabem, não será uma tarefa muito fácil. Sou um adversário implacável. Não tenho medo de arriscar um ataque selvagem (borrifar água nelas) e já sou velho. Não tenho muito mais a perder.

Dia após dia, no momento em que chego caminhando elegantemente, deposito minha fumegante xícara de café mais a esquerda e sento em minha cadeira, passamos alguns minutos travando batalhas incríveis e que ainda vão dar muito trabalho a poetas.

Esses poetas me chamam de Rafael, o Esmagador de Formigas. Mas só fazem isso porque os pago com boa prata. Se um dia as formigas se saírem vencedoras e pagarem boa prata aos mesmos poetas, eles podem muito bem profanar meu nome ao me chamarem de Rafael, o Fã de Iron Maiden.

A vida é isso, meus amigos. Não confiar em poetas e esmagar formigas.

 

O dilema do lanche

11 abr

Tenho vivido meus dias cercado por uma nuvem pesada e escura de dúvidas. Um dilema corrói minhas entranhas.

Um amigo, com brilho nos olhos, me contou que abriram um carrinho de lanche (sim) do outro lado do bairro e que o lanche de lá era indescritivelmente (na verdade, ele até tentou descrever, mas após falhar, tomei a liberdade de agregar esse termo por conta própria) bom e que como meu amigo, ele se sentia na obrigação de compartilhar isso comigo na esperança de que eu saboreasse um pedaço de Jesus Cristo (essa foi minha tentativa de descrição ao lanche, desculpe).

Descobri que esse meu amigo não era o único a ter uma opinião positiva sobre a qualidade do tal lanche. Fui atrás de informações e descobri aquilo que tiraria meu sono pelas próximas semanas, me faria questionar coisas que jamais imaginei que poderia um dia vir a questionar e me obrigou a colocar em dúvida uma amizade que até então eu julgava ser bela.

Sabe o carrinho de lanche que, aparentemente, faz um lanche gostoso? Então, ele só é aberto na parte da noite. O motivo disso? OK, te digo: de dia, naquele mesmo lugar, funciona uma oficina mecânica.

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olha essa carinha de “tenho que fazer uns cachorrão mais tarde”

 

Sim! De dia oficina mecânica e de noite lanches deliciosos para toda a família! Sim!

Ah, o horror. Deus dá com uma mão e tira com a outra. Passo na frente do lugar quando vou para a faculdade e todo dia consigo visualizar uma nova mancha de óleo pelo chão. Dia desses vi eles arrumando as mesas e cadeiras pelo lugar.

Meu grande dilema é: deveria experimentar o tal lanche que segundo informações é quase tão bom quanto ver uma gorda caindo no meio da rua e ralando o joelho ou deveria manter minha alimentação pura e longe de manchas de óleo de motor?

Isso realmente está me afetando.

 

A xícara pequena

19 mar

Esses dias fui tomar café e tinha uma xícara pequena e vermelha na frente das xícaras maiores e brancas, verdes ou pretas. Um pouco na curiosidade e um pouco na preguiça de esticar o braço para pegar as que estavam mais ao fundo, escolhi a xícara pequena e vermelha.

A enchi de café e toda sua capacidade seria equivalente a metade da capacidade máxima de uma das xícaras maiores.

O café não ficou mais gostoso ou demorou mais tempo para esfriar, mas gostei.

Me fez pensar num episódio de Friends em que o Chandler disse que gostava de brincar com aquelas garrafas de bebidas em miniatura porque elas o faziam se sentir um gigante. Não me senti um gigante, mas não foi por falta de tentativa.

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Não sei se a xícara pequena e vermelha vai se tornar minha nova xícara favorita. Ela é bem legal, mas não seria muito útil se eu precisasse lutar pela minha vida e tivesse que quebrar a xícara mais próxima para usar um de seus cacos como arma.

É algo que precisa ser considerado.

Dor de pescoço

12 mar

Talvez a idade esteja chegando para mim. Já não sou mais tão jovem e o universo parece ter gostado da ideia de esfregar isso na minha cara.

Tenho fé e há sempre a possibilidade de eu ter dormido errado nas últimas 30 noites e apenas por isso meu pescoço esteja dolorido.

No momento, está doendo.

Penso que pode ser porque estou olhando para baixo em direção ao notebook e por algum motivo, isso esteja destruindo as formidáveis juntas do meu pescoço.

Não sou especialista, mas sei que tenho ficado quantidades de tempo consideráveis em posições não muito agradáveis ao meu pescoço. Falei com a responsável por isso, mas ela não parece dar a mínima. Nem uma massagem e tal.

Preciso fazer uns testes, mas gostaria muito de culpar a Nasa. Os malditos enviam homens para o espaço, mas falham miseravelmente na hora de fazer um travesseiro. Deve ser culpa deles.

As vezes me pego pensando em personagens que sofreram com dores no pescoço e como lidaram com isso, na tentativa de ter uma referência poderosa em que posso me espelhar. Só consigo pensar no Ned Stark, mas realmente não acho que ele seja o melhor exemplo.

Seguirei com a vida e com a dor no pescoço.

Não sei o que a sala tem

4 fev

Sempre gostei de ficar no meu canto fazendo as minhas coisinhas legais e julgando as outras pessoas por serem estúpidas. Minha vida foi assim e foi maravilhosa. Talvez algo esteja mudando. O meu canto já não parece ser o suficiente para mim mesmo.

Cada vez mais, sinto a necessidade de passar algum tempo na sala daqui de casa.

Gosto dela. Passei boa parte da vida lá. Ela não era tão espaçosa quanto agora, o antigo piso (adorava ele porque tinha umas listras na horizontal (ou vertical, depende do ângulo) e era massa brincar de carrinho usando essas listras como rua) era diferente do atual e o sofá antigo era mais confortável.

Gosto da atual sala, também. A janela é grande e não sofro tanto com o calor, é perto da cozinha e isso facilita nas horas de cafezinho maroto, tem uma Bíblia e me divirto imaginando Jesus me julgando e é muito mais legal tirar uma soneca lá.

Em geral, eu diria que é uma sala fantástica.

Acho que pode ser culpa do calor e meu subconsciente esteja me mandando ir para um cômodo maior e mais ventilado para que eu não acabe morrendo. É possível que o mesmo subconsciente (até onde sei, só tenho um) esteja fazendo isso por algum motivo escuso que ainda não seja do meu interesse.

De qualquer forma, sou inteligente demais para desafiar meu próprio subconsciente tantas vezes e se o Gugu (aliás, em qual emissora ele está?) decidir aparecer aqui em casa, é bem provável que a câmera me filme tentando entender toda a situação e não fazer nada de idiota enquanto estou sentado no sofá, com o notebook na mesinha e trajando minha roupa de ficar na internet (bermuda dos memes e regatinha com estampa do Nyan Cat).

Não sei o que a sala tem e não espero que algum de vocês me ajude a descobrir.

Sei que gosto de passar um tempo lá.

 

Não sei descer escadas

22 jan

É tudo culpa dos meus pais que me criaram em uma casa sem segundo andar e claro, sem a necessidade de ter escadas. Eu poderia ter aprendido essa arte se tivesse sido criado na casa da vizinha com seus três andares, mas não. Fui criado sem trajetos diários em escadas e me tornei alguém defeituoso.

Subir não é problema, pois é algo muito mais mecânico. Você só precisa dar um passo comum (como se estivesse andando em um terreno plano), mas erguer um pouco mais a perna.

É fácil. Qualquer bebê de peito consegue subir uma escada.

Já para descer, são outros quinhentos (sempre quis usar essa expressão).

São muitos os fatores que me atrapalham ao descer escadas. Dentre tantos, destaco a gravidade que está sempre excitada com a possibilidade de me derrubar no chão, o medo de ceder as tentações impostas pela gravidade e me machucar (não apenas fisicamente, pois todos gostam de dar risadas de quem cai da escada e isso afetaria meu psicológico) e a necessidade de ter elegância ao descer alguns degraus.

Desses pontos que destaquei, o pior deles é a elegância. Fui uma criança muito facilmente influenciável e uma cena em especial de um filme me marcou. Não sei se teria lembrado dela se não fosse por essa deficiência que tenho.

Isso é fantástico!

Olhem só a elegância, beleza, dignidade, leveza, paz de espírito e exuberância que acompanham o Sub Zero ao descer os derradeiros degraus de uma escada.

Esse descer de degraus formidável me faz crer em um mundo melhor.

Jamais serei tão formidável. Nem tão rebolativo, espero.

 

 

O tempo para meu avô

21 jan

Esses dias eu estava pensando no meu avô. No materno. O paterno está morto. Não que isso me impedisse de pensar nele, claro. Só quis deixar claro de qual avô estava falando. Desculpe qualquer coisa.

Então, esse avô. Nunca fui muito próximo dele. Eu era uma criança chata e ele era bravo. Pelo menos é assim que eu o enxergava. Posso simplesmente ter julgado ele erroneamente (dê um desconto, eu era uma criança) ou talvez ele apenas tenha mudado com o passar dos anos. Ele não é mais bravo.

Tento buscar lembranças de antigos domingos passados na casa da minha avó junto com o restante da família e facilmente consigo me visualizar correndo pela casa com meus primos, batendo em móveis, esbarrando nas pessoas, passando perigosamente perto do carro desse meu avô e fingindo não dar a mínima para o olhar de reprovação dele. Fingir não saber o que está acontecendo era mais fácil do que sustentar um contato visual.

Ele não nos odiava. Só não gostava de criancinhas destruindo sua casa.

essa foto foi na frente da casa dele

eu na frente da casa dos meus avós

 

Na verdade, acho que ele passava a maior parte do tempo cochilando e os olhares de reprovação eram causados apenas pelo barulho que acabava o acordando.

Quanto mais penso, menos vilão de desenho animado ele se torna. Era quase tudo fruto da minha imaginação infantil.

Ele, trabalhador braçal durante a vida toda, mesmo após se tornar um senhorzinho de idade e começar a ser chamado de “vô”, ainda tinha músculos que os avôs dos meus amigos nunca tinham tido mesmo aos 25 anos de idade.

Gostava de me vangloriar na escola dizendo que meu avô era forte. Hoje não consigo encontrar sentido nisso. Ele nunca apareceu para me ajudar nas brigas da escola, mesmo. Nem os avôs dos meus amigos.

Hoje ele está diferente daquele ser chefe de família que meu eu de 5 anos de idade enxergava. É mais engraçado, menos bravo, mais baixo que eu, os músculos se foram com a idade e está levemente arqueado. Vez ou outra puxa assuntos legais comigo. A última conversa foi sobre carros, se não me engano. Ainda gosta de cochilar e ainda mantém uma paixão por carros.

Ele me chama de “Rafa”. Não sei se me chamava assim quando eu era criança.

De qualquer forma, o tempo passou para o meu avô.

 

Longe da luz

9 jan

Não é algo novo e recente. Já faz um bom tempo que percebi isso.

Na verdade, é desde que meu quarto foi reformado e nesse momento estou dando uma pesquisada em textos mais antigos porque tenho certeza que comentei sobre a reforma do quarto em alguns deles e então poderei ter uma data mais aproximada.

Espere um pouco, por favor.

Sim, eu estava certo. Nesse texto aqui eu escrevi a seguinte frase: “Recentemente, meu quarto passou por uma nada humilde reforma.”.

Qualquer um que saiba interpretar textos pode ser dar conta que pouco tempo antes do que escrevi, a reforma do quarto tinha sido concluída. Como você mesmo pode ver ao clicar no link que tive o trabalho de procurar, o texto foi publicado no dia 5 de Agosto de 2013.

Então, eu e você iremos supor que estou desde o início do mês de Agosto lidando com esse problema.

Não sei se devo culpar meu quarto por ser grande demais (o bastante para sua mãe, aquela gorda, correr pelada nele) ou se devo culpar a lâmpada por não me proporcionar aquilo que preciso, mas sei que está está faltando luz.

Exit light
Enter night
Take my hand
We’re off to never neverland

Não tenho nada contra ficar no escuro, inclusive o escuro é tudo o que tenho quando fecho os olhos. A completa escuridão seria muito bem recebida por aqui. A luminosidade precária é o que me destrói. A sensação de que roubaram a lâmpada de alguma geladeira pela vizinhança e colocaram no meu quarto apenas de brincadeirinha é o que me obriga a fazer gestos obscenos em direção ao céu esperando que qualquer criatura que comande o universo veja e entenda o que estou passando.

A fraca luz que chega até mim me causa náuseas. Não necessariamente por sua fraqueza (se bem que desprezo coisas e pessoas fracas), mas por ela me obrigar a fazer um esforço absurdo em minha visão. Aliás, durante algum tempo desconfiei que estava ficando cego e isso seria a causa de todo o problema. Até entrei em desespero por estar perdendo um dos sentidos que me proporcionam a fantástica experiência que é assistir O Poderoso Chefão.

Ou ver peitinhos.

Veja só a que ponto cheguei. Desconfiar das capacidades de meu próprio corpo por causa de uma lâmpada que não me fornece luz suficiente. Não consigo imaginar nada mais revoltante.

Eu estava lidando bem com essa situação (ignorando), mas as vezes a vida te dá alguns problemas que acabam te colocando em um estado de espírito errado e coisas que até então poderiam ser relevadas, se tornam incômodas demais e você precisa agir.

A sorte da vida é que a amo. Diferente do que sinto por sua mãe, aquela gorda.