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Primeira Assistida #2 – The Office

26 mar

“Como um médico, você não contaria a um paciente que ele tem câncer.”

Naquele sábado estranho, quando decidi comprar uma pizza e gastar minha noite assistindo séries, eu não fazia ideia do que estava para acontecer. Sempre ouvi falar de “The Office e os comentários eram sempre bons. “A série é tão engraçada”, “É o escritório mais engraçado de todos” ou “Se meu chefe fosse daquele jeito, pegava uma zarabatana, acertava um dardo com tranquilizante no pescoço dele, o amarrava, o torturaria por horas e enfim, passaria uma faca na garganta dele e o sacrificaria aos deuses nórdicos”.

Por estar buscando novas séries e por querer fazer mais um post sobre a Primeira Assistida, baixei a primeira temporada de The Office. Se eu soubesse, teria gravado um vídeo do momento em que acionei o torrent.

the-office-gang

Com um pedaço de pizza na mão e uma xícara de café na outra, precisei recorrer a meu pé esquerdo para dar play no primeiro episódio. Nos próximos 20 minutos, eu poderia ser visto engasgando com a pizza e quase derramando café por cima da mesa em momentos mais engraçados.

A série, basicamente, conta a história do dia-a-dia de um escritório fornecedor de papel. Tudo é gravado como se fizesse parte de um documentário (o que é muito legal) e logo de cara, o que mais chama atenção é o gerente do escritório. Ele parece não saber diferenciar muito bem a hierarquia do ambiente de trabalho e tenta ser amigo de todos os funcionários. Por seu comportamento escroto, é visto como o “mala” do escritório.

Seja tentando fazer uma piadinha e acabar por atrapalhar todo o andamento do serviço, imitar o Yoda, agir como um completo retardado ou sem querer, semear a discórdia no ambiente de trabalho, Michael Scott se mostra um excelente gerente.

Pelo primeiro episódio, acho que ficou claro que poucos funcionários estão satisfeitos com seus empregos. Uma certa tensão se levanta por causa de um boato de um possível Downsizing (cortar custos demitindo funcionários desnecessários). Mesmo não gostando daquele emprego e querendo fazer algumas coisas diferentes, ser demitido nunca é legal (mentira, já fui demitido e foi a melhor coisa do mundo).

O episódio gira mais ou menos por aí. Ainda dá a entender a entender um possível romance entre dois personagens, insere um estagiário (essa raça está sempre presente), mostra quem é o puxa-saco do chefe e faz tudo isso de forma engraçada. Aliás, agora que digito isso, tenho quase certeza que derrubei um pouco de café no teclado enquanto me sacudia de rir de uma falsa demissão no episódio. Deuses, aquilo foi lindo.

Se eu gostei? Por favor, desde o piloto de Friends não me animo tanto para uma série de humor.

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Eu deixaria de assistir algum episódio de Friends para assistir esse episódio piloto de The Office? 

Não, pois Friends é Friends. Mas se por um acaso, baixasse o episódio piloto de The Office achando que era algum episódio de Friends, não ficaria chateado.

Algo que seria interessante mencionar: a primeira temporada tem 6 episódios e a segunda temporada tem 22 episódios. Na escola que estudei, me ensinaram que: 6 + 22 = 28. Sim, 28 foi o número de episódios de The Office que assisti em menos de 40 horas. É, segunda-feira e estou prestes a começar a terceira temporada.

Até o momento, a série não me falhou em nenhum episódio e todos eles me arrancaram gargalhadas. Inclusive, na metade da segunda temporada, fiquei com vontade de morder minha impressora. Por qual motivo? Não sei. Acho que quando você ri tanto de algo, seu cérebro desliga. Consegui me controlar e não mordi minha impressora, mas passei uns bons minutos deitado no chão do quarto rindo com o episódio pausado.

Caras, estou adorando essa série e só os deuses nórdicos podem me julgar.

That’s what she said!”

 

Primeira Assistida #1 – Vikings

8 mar

Já a algum tempo tenho pensando em fazer essa “série” aqui no blog. Muitos outros sites já fazem isso, mas minha opinião é sempre melhor que a deles, então sempre que eu assistir uma série nova, irei escrever sobre o que achei do primeiro episódio (piloto). Irei dizer se gostei ou não, se irei continuar assistindo ou não e estrearei uma nova forma de julgar coisas: direi, de forma fria e elegante, se deixaria de assistir qualquer episódio de Friends para assistir o episódio analisado.

Para estrear essa nova série de forma bárbara, guerreira e com a benção dos deuses nórdicos, vou comentar o piloto de VIKINGS.

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Só fui ficar sabendo dessa série umas duas semanas antes dela estrear. Pela temática, é claro que me interessei. Não escondo de ninguém que atualmente minha série literária favorita é Crônicas Saxônicas. Nesses livros, é contada a história de quando as terras, hoje conhecidas por Inglaterra, foram invadidas por uma horda de dinamarqueses sedentos por sangue, terras e riquezas. Os livros tem uma excelente narrativa e são escritos por Bernard Cornwell que além de um bom escritor, é um bom historiador. Eu ainda pretendo escrever sobre Crônicas Saxônicas, então não vou continuar falando sobre essa fantástica série literária.

Digo apenas que: se você gosta de guerreiros nascidos para a batalha, uma boa dose de história ou simplesmente queira entender o que é o júbilo pela batalha, leia Crônicas Saxônicas sem medo, mas tenho sempre duas coisas em mente: “Parede de escudos!” e “O destino é inexorável”.

Enfim, ao saber da série Vikings, tive esperanças, mas ao saber que ela estava sendo produzida pelo History Channel, tive fé. Baixei o episódio, dei play e entrei no mundo dos nórdicos. Curti o começo da série. Logo de cara ela já se inicia em um campo de batalha e mostra que o protagonista da série não é um cara qualquer. Claramente ele já tem uma experiência com batalhas e deve ter crescido sendo educado com espadas, escudos, lanças e machados. É um guerreiro nórdico.

 Uma outra coisa que curti nesse episódio piloto é que eles deixaram bem claro o lado religioso dos nórdicos. Não são apenas guerreiros barbudos matando. Eles cultuam seus próprios deuses e esperam ter o privilégio de quando morrerem, entrarem no Valhala, o enorme salão em que apenas aqueles que morreram em batalhas são levados. Lá eles passarão a eternidade batalhando, fornicando e festejando ao lado dos deuses. Tudo que um guerreiro quer.

Espero que nos próximos episódios isso se torne mais sério, pois estou acostumado com nórdicos que sacrificam animais e muitas vezes inimigos em nome dos deuses deles. Sinceramente? Estou ansioso para uma árvore de sacrifícios na série. São nessas árvores que os sacrifícios acontecem e muitos acreditavam que após um grande número de sacrifícios, a árvore se tornava especial e assim sendo, muitas delas eram usadas na construção de barcos, outra grande paixão dos nórdicos.

Ragnar, o personagem principal, é um entre muitos guerreiros liderados por um sujeito poderoso. O tal sujeito é considerado poderoso apenas porque tem uma boa frota de barcos e com seus guerreiros dentro deles, pode sair por aí e ser viking. Eis aí outra coisa que gostaria de comentar: baseado no que aprendi lendo Crônicas Saxônicas, não existia um povo chamado “Viking”. Ser viking é pegar um barco e junto com outros guerreiros, invadir cidades, matar, saquear, fazer escravos e sair dali antes que as autoridades chegassem. Viking não é, viking se faz. De certa forma, “sair viking” era quase como “sair de rolê”.

E pelo que esse episódio piloto indica, é exatamente isso que irá acontecer na série. Hordas de nórdicos saindo viking por aí, pilhando riquezas e dividindo o lucro com o dono dos barcos. Mas parece que isso já não está dando tanto dinheiro e alguns guerreiros não estão satisfeitos, Ragnar é um deles. Ele ouve histórias de que a Oeste, as cidades são mais ricas e assim, poderiam dar mais dinheiro a eles, só que aqueles eram outros tempos. Os nórdicos não poderiam simplesmente abrir o Google Maps e fazer uma rota até as cidades que iriam atacar. Eles não fazem nem ideia do que encontrariam se fosse para o Oeste. Poderiam muito bem encontrar esse mundo de riquezas, mas também poderiam ser atacados por frotas maiores e destruídos ou simplesmente poderia não haver nada a se achar.

Também temos um exemplo de como as leis funcionam. Se você matou, há menos que tenha um bom motivo e consiga convencer o lorde que dará sua sentença, morrerá e tudo que pode fazer é escolher como quer morrer. Pouco depois, a série nos mostra algo que muito vi acontecer em Crônicas Saxônicas: a entrega de braceletes. Na série Vikings, os guerreiros recebem o primeiro bracelete ainda quando são garotos, é uma forma de jurar aliança ao Lorde. Em Crônicas Saxônicas, o processo é mais interessante. Você só recebe um bracelete quando faz por merecer. Tanto é que os maiores guerreiros, os mais corajosos e mais valiosos em batalhas, são aqueles em que os braços tilintam de tantos braceletes pendurados. Quantos mais você tem, mais fez por merecer e melhor é.

Fica decidido que assim como em todos os outros anos, os barcos do Lorde irão partir a leste e procurar riquezas. Ragnar decidi desobedecer a ordem e com suas economias, manda construir um barco para ele mesmo. Ele irá para o Oeste e estará quebrando leis com isso.

A série ainda promete umas intrigas menores e sem muita importância, mas o que importa é que não curti os barcos deles. São barcos pequenos, minúsculos, não cabe nem um terço de uma tripulação de Crônicas Saxônicas. Porém mesmo sendo barcos pequenos, não posso discordar, são bonitos.

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Minha opinião final: gostei muito do episódio, mas acontece que eu curto esse tema. Não sei se alguém “leigo” irá gostar da série. Sinto que a série promete muito mais do que mostrou. Dando uma pesquisada no Google Imagens procurando essa foto do barco, vi algumas outras fotos que jogaram spoilers na minha cara. Como disse, a série promete. Vou continuar assistindo, sim.

Infelizmente as séries só continuam no ar se tiverem audiência e não sei se Viking conseguiu bons números. De uma forma ou de outra, acho difícil que a série seja cancelada.  Os produtores precisam agradar um certo público, conseguindo isso, conseguirão a permanência no ar.

Estou confiante com essa série. Os nórdicos são muito esquecidos pela mídia. Eu mesmo, se não fosse pelos livros do Cornwell, não sei se teria tido outras oportunidades de entrar em contato com a história desse fantástico povo.

Eu deixaria de assistir algum episódio de Friends para assistir esse episódio piloto de Vikings? 

É claro que não. É meio cedo para dizer, mas Vikings parece ser uma boa série, porém para uma série me fazer trocar Friends por ela, tem que ser muito mais do que simplesmente “boa”. O episódio piloto do Lost talvez conseguisse isso.