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O Lobo de Wall Street: aprendi a gastar dinheiro

27 jan

Eu só queria um filme que me divertisse. Só isso. Nada mais. É exatamente isso que quero da maioria dos filmes que assisto e mesmo com um requisito tão simplório, são muitos os que falham no teste.

Com esse pensamento em mente, saí de minha casa quente como a palma da mão de Satanás após horas jogando videogame e fui até o cinema que eu esperava estar frio como a sola do pé de Satanás ao deixar os pés para fora do cobertor numa madrugada chuvosa qualquer. Ingresso, pipoca média e uma lata engraçada de Coca-Cola comprados, fui até a entrada da sala certa. Algo interessante aconteceu nesse momento.

Na minha frente, um grupo de uns 4 velhinhos estava entregando os ingressos na mão de um rapaz para que ele conferisse, destacasse o canhoto e liberasse a entrada. Ele, treinado até a exaustão por robôs, assim fez e em seguida, se virou para a esquerda e começou a andar naquela direção. Os velhinhos entraram na sala e eu fiquei tentando entender se o rapaz tinha errado rude ao presumir que eu fazia parte do tal grupo de velhinhos e estivesse com o ingresso no meio daqueles que ele tinha acabado de destacar o canhoto ou melhor: se eu tinha me tornado invisível perante os olhos dele. Isso seria legal.

Invisibilidade sempre foi um poder muito desejado por mim. Isso tornaria a vida um lugar muito mais interessante.

Assim como os poderes de alguns heróis, o meu tinha se manifestado em um momento qualquer, sem importância e quase inoportuno. Fazia todo o sentido, mas pensei nisso bem depois do filme. Naquele momento, só queria entrar na sala e escolher um bom lugar. Com elegância poucas vezes antes vista, dei de ombros, mentalizei um “fuck the shit” e entrei na sala com meu ingresso intacto.

Aparentemente, me tornei invisível, sim.

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Bem no começo do filme quando o personagem principal está se apresentando e contando um pouco de sua história, eu me lembrei do grupo de velhinhos que entraram na minha frente. “Orra, aqueles velhinhos estão vendo o personagem do Dicaprio cheirando cocaína direto do rabo de uma prostituta! Melhor sessão!”.

É, eu tenho problemas em admitir sexualidade em pessoas de idade.

É um defeito meu e eu o amo.

Sobre o filme: é muito bom. Gostei bastante. Me divertiu e agora, mais do que nunca, sei que quero ser rico. Talvez eu estivesse numa fase meio “ah, dinheiro não é tudo na vida de uma pessoa”, mas assistir O Lobo de Wall Street me colocou no caminho certo, outra vez.

O personagem principal pensava de uma maneira parecida. Era jovem, casado e queria ter uma vida confortável com a esposa. Para isso, ele sabia que precisava de dinheiro e qual outro lugar melhor do que Wall Street? Ele começou a trabalhar lá, aprendeu a ter uma conversa que trouxesse os clientes (ou o dinheiro deles) para seu lado e foi promovido. No primeiro dia após sua promoção, Wall Street quase se desfaz em farelos e ele precisa arrumar outro emprego.

É aqui que deus vira para o personagem e fala “vai lá, novinha. Faz teu nome!”.

Com a habilidade adquirida de fazer pessoas com dinheiro confiarem nele, ele constrói seu império. As bases desse império são feitas de blocos “Breaking Bad Style” de dólares, carreiras intermináveis de cocaína e prostitutas com um sorriso no rosto.

Era mais dinheiro do que se poderia gastar. Uma pena o dinheiro não ter sido ganho de meios totalmente legais e a justiça estar lutando para tirar tudo isso dele e acabar com essa vida encantadora.

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Com campeonato de arremesso de anões, muitos pares de seios visíveis e com muitos momentos de diversão, O Lobo de Wall Street leva pra casa incríveis 9 Xícarazinhas.

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O Hobbit – A Desolação de Smaug: vivendo outra vida

14 dez

Me sinto cada vez menos animado para esses filmes. Não sei se estou ficando mais chato, menos idiota ou mais sábio e conhecedor das coisas da vida. Talvez as três coisas ou talvez nenhuma delas. É possível que os filmes estejam apenas decepcionantes e eu com minha mente a frente das demais perceba isso antes mesmo de entrar na sala de cinema.

Mesmo sem muita animação e com muita vontade de ver alguém cair na calçada e ralar o joelho, fui até o shopping, venci obstáculos, cheguei até o último andar, comprei meu ingresso, uma pipoca média e uma coca. De alguma forma, entrei na sala, fui até meu lugarzinho (pago um extra para o cinema reservar aquele lugar para mim), me acomodei, twittei idiotices quaisquer e depois de uns trailers sem importância, o filme começou.

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Tirando uma sensação de que estava assistindo um filme infinito e que nunca mais poderia viver uma doce vida fora daquela sala escura de cinema, o filme é bom. Sei que tem pessoas que odiaram todas as coisinhas que o Peter Jackson “criou” para o filme, mas tirando um romance idiota entre um anão e uma elfa (sim), não vi nada tão absurdo.

Poderia até dizer que o tesouro do dragão é absurdo, mas gostei do visual de uma montanha quase tão grande quanto a Montanha Solitária feita apenas com moedas, taças e outros objetos quaisquer de ouro. E a Pedra Arken, claro. Num flashback logo no começo do filme já é dito o quão importante ela é para o Thorin caso ele queira reaver a montanha que é sua por direito. Ele quer.

É divertido ver os anões lutando contra os orcs na fuga do reino dos elfos. Até os menos fisicamente preparados (foi uma alternativa que encontrei para não dizer “gordo”, mas não funcionou) mostram que quando é preciso, sabem improvisar e dar surra em orc.

Assim como quando assisti o primeiro filme, me mantenho achando o Thranduil um ser muito mais afetado que o Freddie Mercury no clipe de I Want Break Free. Não gosto muito dele, mas reconheço que ele tem uma bela cicatriz no rosto. Eu gostaria de uma cicatriz daquela. Me ajudaria a passar a imagem de que não gosto de ninguém e que nunca estou disposto a conversar.

Fiquei tentando entender porque o Legolas de O Hobbit é tão diferente daquele Legolas já conhecido de O Senhor dos Anéis. Cheguei a conclusão que uma crise de ciúmes tenha feito ele acordar para a vida, tirar a maquiagem da cara e deixar de ser babaca. Mas devo deixar registrado que o Legolas babaca e maquiado é muito mais legal na pancadaria do que o Legolas bonzinho da trilogia do Anel.

Teve um certo momento que não soube se estava assistindo O Hobbit ou 300 porque nesse filme a negada aprendeu a matar orcs.  É interessante a quantidade de cabeças e outros membros menos importantes que são arrancados. Também é interessante uma piadinha que o Legolas faz ao estar revistando o Glóin e achar uma “foto” do Gimli.

É sabido por todos que o ponto fraco do dragão Smaug é uma “falha” em sua armadura. Seria preciso uma flecha certeira naquele exato ponto para poder matar o dragão. Essa flecha é mencionada várias vezes no filme. Faz tempo que li o livro e posso muito bem estar errado, mas pelo que me lembro, o Bard é um arqueiro com boa mira e mata o Smaug usando um arco comum e uma flecha especial. Eu em toda minha glória a fantástica imaginação, achei que a tal flecha negra era especial porque era feita por elfos ou sei lá e por isso ela poderia atravessar a falha no couro do dragão. No filme, a “flecha negra” é uma motherfucka barra de ferro maior que um anão, com uma ponta afiada e só pode ser lançada de uma balestra. Ficou mais crível.

Por falar em matar o dragão e coisas críveis, não sei se apenas não entendi a magnitude do plano ou o plano em si foi muito falho e até infantil, mas os anões tentarem matar o dragão afogado em ouro derretido, foi no mínimo estranho. No meu mundo perfeito, um dragão nunca poderia ser morto por nada ligado a fogo ou o sua grande paixão: tesouros. Uma cachoeira de ouro derretido para matar um dragão realmente não fez sentido para mim.

Porém, a cachoeira de ouro serviu de alguma coisa: deixar o dragão no clima certo para atacar a cidade e é exatamente esse o final do filme. O dragão voando, pingando ouro e prometendo tocar o terror na cidade.

belos olhos, smaug

 

No primeiro filme da primeira trilogia, quando a Sociedade do Anel está passando por Moria e se depara com consideráveis dificuldades, Gandalf se sacrífica e desce um abismo absurdo em uma luta contra o Balrog. Quando ele retorna no segundo filme e conta essa história para o Aragorn, Legolas e Gimli, ele parece estar confuso até em relação a seu próprio nome. A explicação que se dá a isso é que enquanto se passaram apenas alguns dias para os outros personagens, para o Gandalf passaram-se eras.

Foi mais ou menos essa a sensação que tive ao sair da sala de cinema. De acordo com todos os presentes e o horário indicado pelo celular, pouco mais de 2 horas tinham se passado, mas na minha cabeça e em meu coração, eu tinha vivido uma outra vida. Aquela sala de cinema foi para o mim o que o limbo de Inception foi para o personagem do Leonardo Dicaprio.

Não acho que o filme tenha ficado tão longo (não é muito maior que as versões estendidas de Os Senhor dos Anéis, afinal) e nem que tenha ficado arrastado, mas alguma coisa despertou um “orra, que legal voltar para a Terra-Média, mas acaba logo por favor que não sou gordo manolo e tenho mais o que fazer”.

“Não é porque você pode fazer 3 filmes que você tem que fazer 3 filmes.”

Juro que não lembro quem disse isso.

Com a certeza de que o Necromante foi uma das melhores coisas do filme, surpreso pela elfa bonita que a Evangeline Lilly se tornou e fascinado pela voz do Smaug, dou a incrível nota de 8 Xícarazinhas para O Hobbit – A Desolação de Smaug.

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(na outra vida que vivi dentro da sala de cinema, meu nome era Jeferson e eu assaltava lojas de conveniência)

Thor – O Mundo Sombrio: adoro a mitologia nórdica

8 nov

Minha ausência estava sendo sentida nos cinemas pelo mundo. Já fazia um bom tempo que eu não derrubava (sem querer, claro) pipocas no vão entre os assentos.

(“assentos” não me parece a palavra ideal para definir os lugares que você se senta no cinema. Quase mandei um “cadeira” ou suas variações, mas também não me pareceram boas o bastante. Fica aí o pensamento.)

O último filme a ser devidamente assistido por mim no cinema tinha sido Man of Steel (nhé). De vez em quando, faço isso. Ficar um tempinho sem ir no cinema e tal. As vezes é por não ter bons filmes em cartaz e as vezes e só falta de vontade minha. Foi o que aconteceu nesse caso. Até tinha uns filmes que eu queria assistir, mas por mais que planejasse, a vontade não era o bastante.

Só soube da data de estreia um dia antes e isso me deixou triste. Eu acompanhava todas as notícias dos filmes e do universo que a Marvel estava construindo nos cinemas. Até Os Vingadores, eu fazia teorias e enlouquecia a cada cena de ação que assistia e agora, nem sei mais quando os filmes chegam as salas de cinema.

Sou uma vergonha para a Marvel. Eu não mereço ter assistido Os Vingadores duas vezes seguidas no dia de estreia (esse dia foi massa).

Por ter “abandonado” esse universo Marvel, eu não sou e nunca serei merecedor do Mjölnir.

nunca vai acontecer

nunca vai acontecer

 

Há algumas semanas, abriu um shopping aqui perto de casa. O martelo do Thor levaria uns 6 segundos para percorrer o trajeto, de tão perto. Não quis ir na inauguração ou nos dias seguintes, pois não sou idiota e não gosto de pessoas, então esperei e achei que ir assistir Thor 2 fosse uma boa oportunidade de o conhecer.

Dei uma olhada no site do shopping, conferi o horário, fiz umas contas rápidas, algumas flexões e fui. Claro que me atrasei e claro que quase perco o começo do filme. Ainda não confio no novo cinema, então não comprei pipoca. Fiquei apenas com uma lata de Coca (muito mais difícil de ser envenenada) e entrei na sala. Escolhi um lugar mais no meio e me preparei para ver o deus do trovão fazer chover.

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Gostei muito do filme.

Tem boas cenas de ação, Thor é bonito, tem seus momentos engraçados, tem uma história legal e tem o Loki. Como admirador da cultura nórdica, gostei do filme por ser divertido e bom e ainda teve um bônus por ficar pegando referências nórdicas.

Sério, ver o Odin recebendo informações de um corvo que estava em seu ombro foi massa. Ver o Loki usando de seus poderes para se transformar por alguns momentos no Capitão América foi um afago no meu coração.

Aliás, o filme tem o nome do Thor no título, mas o Loki é quem domina tudo. Tom Hiddleston como Loki é quase tão espetacular quanto Robert Downey Jr. como Tony Stark. Você sabe que o Loki é o vilão, sabe que a qualquer momento ele vai virar a casaca (no caso, capa), enfiar uma adaga entre as costelas do Thor e colocar mais algum de seus planos para conquistar Asgard em ação, mas ainda assim você se pega torcendo para ele. Ou ao menos, torcendo para ele não acabar tão mal.

E por falar em estar mal, Odin conseguiu me deixar entristecido. Não digo pela atuação, por favor. O Anthony Hopkins continua incrível. O personagem é que deixa a desejar. No primeiro filme, ele passa quase que todo o tempo em uma espécie de coma e achei que o grande Odin não pudesse ficar em estado pior nesse segundo filme. Com certa ironia, quando ele está na ativa e defendendo seu reino, consegue ser ainda mais vulnerável. Não foi esse Odin que venceu tantas guerras e liderou Asgard em tantas batalhas. Ele está velho.

Esse filme deixou claro que até os deuses de Asgard não são eternos. Eles tem apenas 5 mil anos de vida. A morte também chega para eles, inclusiva para a Frigga, esposa do Odin e mãe de Thor (de certa forma) e Loki (de certa forma, também).

É um velório bonito. Corpo colocado em um barco, a correnteza o levando, um arqueiro preparando um flecha incendiária, o fogo consumindo… Foi algo belo. Por falar em coisas belas, uma personagem merece ser citada nesse contexto: Lady Sif.

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orra, sua linda

 

Ninguém, nem o próprio Odin, entende como o Thor consegue trocar a Sif, linda mais que tudo no filme, pela personagem chatinha da Natalie Portman. Thor tinha tudo na mão para fazer dar certo: aproveitava que era um deus e vivia numa dimensão superior e nunca mais entrava em contato com a Jane Foster. Enquanto a Jane Foster ficava na Terra chorando e esperando pela volta do namoradinho, o Thor estaria em Asgard usando o Mjölnir para castigar o escudo da Sif (não consegui achar uma analogia melhor para sexo entre nórdicos, desculpe).

Enfim, é um filme com coisas muito boas (Lady Sif e Loki), coisas legais (lutas e risos) e coisas que deixaram a desejar (Odin e a barba do Thor). Na moralzinha e muito impressionado com a musculatura do Chris Hemsworth (hetero), Thor – O Mundo Sombrio ganha 9 Xícarazinhas.

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Muito melhor que seu antecessor e um dos mais divertidos filmes dessa onda da Marvel. Não sei o que diabos o Loki fez com o Odin, mas quase torço para que tenha matado. Acabado logo com o sofrimento dele e já garantir de vez o a permanência no trono dourado de Asgard.

Superman – O Homem de Aço: estufe o peite e voe

14 jul

Nunca gostei muito do Superman. Sempre reconheci a importância dele, gostava dos ideais mais “puros” e admirava a imponência que ele tinha. Peito estufado, capa esvoaçante e sempre pronto para defender quem precisasse. Não tomando partido e mantendo os pés no chãoÉ um bom herói. Não tem meu amor, mas tem meu respeito.

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Tenho quase certeza que fiquei feliz quando surgiu a notícia desse novo filme. O último tinha deixado um gosto amargo na boca de todo mundo. Tirando a cena em que o Superman ajuda um avião a pousar no meio de um estádio de beisebol, o filme é muito fraco. Com o andamento da produção do novo filme, foram surgindo mais e mais notícias e elas foram diminuindo minha expectativa. Mais absurdo que a mudança do tema do Superman, aquele tema clássico que consegue aquecer o coração de qualquer um, foi a mudança no uniforme. É aquele lance da imponência que falei. Para mim, o uniforme azul com uma cueca vermelha por cima da calça é melhor que esse novo. Sou um cara nostálgico, gosto de clássicos.

Mesmo sem minhas expectativas, o filme chegou aos cinemas e eu fui assistir. É o Superman. Ele me fez acreditar que o homem podia voar.

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Seguindo os planos do dia anterior, saí de casa e fui ao shopping. Com elegância e sofisticação, eu gastei os minutos de trajeto entre o ponto A e o ponto B, lendo Dança dos Dragões na Lucy*. Cheguei ao shopping, assim como outras vezes, cedo demais. Em minha defesa, dessa vez foram apenas 10 minutos adiantado. Gastei esses 10 minutos lendo mais um capítulo do livro e achei que já estava na hora de ir comprar o ingresso. Precisei ouvir um casal de velhinhos discutindo na minha frente, fiquei com pena do senhor por passar o resto da vida ao lado de uma velha chata e comprei meu ingresso. Fiquei triste por ver uma funcionária do cinema usando uma camisa do Faroeste Caboclo, peguei o óculos 3D, comprei uma pipoca média e uma coca, escolhi um lugar mais no centro da sala, twittei algo qualquer, abaixei o som do celular e as luzes se apagaram.

Trailers e trailers (torci para o trailer do Thor (personagem da Marvel) passar antes do filme do Superman (personagem da DC), mas não) e o filme começou. O homem estava prestes a voar, mais uma vez.

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Eu gostei do filme. Não é, nem de longe, um filme incrível, mas cumpre seu propósito.

De início, acompanhamos os acontecimentos do planeta Krypton. Tudo aquilo que levou o Jor-El a mandar o filho ainda bebê para outro planeta e qual era o plano dele com isso. Já na Terra, o bebê cresce sabendo que não é normal. Ele não é um humano. Ele faz coisas que outras crianças não podem fazer.

O relacionamento entre pai e filho é bem bonito. O jovem Clark sofreu por ser diferente. Por sorte, tinha um bom pai. Em uma determinada cena, é possível ter uma ideia dos sacrifícios que o Jonathan Kent teve que fazer para criar um filho extraterrestre.

Já com 33 anos (conhece outro homem com essa idade que se destacou entre a raça humana?) e ainda antes de se tornar o Superman, ele é apenas um cara anormal em relação aos outros. Arriscando que sua particularidade seja descoberta, ele acaba fazendo o possível para livrar outros de situações complicadas.

Na busca por descobrir quem ele realmente é e de onde veio, aciona o mecanismo de uma nave e sem querer manda um sinal para outros de sua raça. Um desses outros é o General Zod.

Confesso, na maior parte do filme eu torci contra o Superman. Ele é legal, mas a motivação do General Zod é boa o bastante para conseguir meu apoio. Através de ações um tanto quanto erradas, ele apenas quer fazer seu trabalho. Ele foi criado para lutar por sua raça e se isso significa que vai precisar destruir a raça humana, é um preço que pode ser pago.

Precisei ficar me lembrando que aquele Superman estava aprendendo a ser Superman. Era sua primeira “missão”. Toda a destruição e mortes que ele causa na tentativa de defender a raça humana, só pode ser justificado dessa forma. Ele é um moleque. Está aprendendo a ser um herói.

É um filme com algumas falhas, mas bom. Diverte e tem boas cenas de pancadaria. Superman sabe dar soco.

Com capa, com ou sem cueca vermelha, e com uma trilha sonora muito boa (não é a clássica, mas dá conta), Superman – O Homem de Aço ganha 8 Xícarazinhas.

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Algumas pessoas estão dizendo que esse filme é mais ficção científica do que filme de herói. Odeio isso, mas concordo com eles.

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*Lucy é o nome de batismo do meu Kindle.

Velozes e Furiosos 6: carros, ação e heróis

9 jun

Como sempre, cheguei ao cinema uns 40 minutos adiantado. O meu medo de me atrasar faz com que eu chegue elegantemente adiantado, então não há nada que eu possa fazer. Matei os minutos restantes vendo as pessoas passarem e achando defeitos nelas. É divertido fazer isso, eu indico.

Depois de comprar o ingresso, entrei na fila (já estava em movimento) e notei que o senhor que conferia os ingressos e liberava a entrada (não consegui achar um nome para essa função. bilheteiro?) ainda estava usando a camisa do cinema para a estréia de Homem de Ferro 3. Achei muito elegante da parte dele.

Comprei uma pipoca média e uma coca, entrei na sala, escolhi um lugar mais ao centro e esperei o filme começar. Não estava tocando nenhuma musica na sala. Eu gostava mais quando esperava o filme começar ao som de Beatles. Dois caras que estavam a meu lado engataram uma conversa sobre relacionamentos, rotina e qual vodka deixaria uma tal de Letícia mais rapidamente bêbada. Não conheço a Letícia, mas quase respondi que a Balalaika seria a melhor escolha. Ou pior, para a Letícia.

Twittei besteiras quaisquer, as luzes foram apagadas e uns comerciais vergonhosos passaram antes dos trailers. Mais uma vez, o trailer de Thor estava presente, uma animação de um caracol que parece que será boa e o trailer do próximo filme do Wolverine. Ainda não tinha visto o trailer desse último e não curti. Os trailers acabam e como não há mais nada, o filme começa. Que filme incrível.

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Como fui assistir o filme umas 2 semanas depois de ter estreado, pude ouvir e ler alguns comentários e a maioria era positiva. Todos que disseram não ter gostado do filme também não tinham gostado de Homem de Ferro 3, então preferi não se importar muito com a opinião deles e ver qual era a do filme. Em filmes desse nível, faço o possível para abir a mente e não questionar e analisar cada detalhe. São apenas para divertir e Velozes e Furiosos 6 me divertiu, logo, atingiu seu objetivo.

No filme passado, e equipe liderado pelo Toretto (Vin Diesel) conseguiu realizar um assalto absurdo no Rio de Janeiro e agora estão apenas gastando esse dinheiro. Alguns em cassinos, outros apenas estão vivendo uma vida calma, tendo um filho e querendo continuar assim. Tudo muda quando o personagem do Dwayne Johnson, o The Rock (que não me lembro o nome) os aborda e pede  uma ajuda para pegar criminosos ainda mais perigosos.

O filme é muito bom. Pegaram o que deu certo no filme anterior e aumentaram nesse. Os carros tunados e os rachas (características do início da série) perderam o foco para cenas de ação bem feitas e perseguições destruidoras de cidades. Entre essas duas coisas, uma ponta de um drama, um certo humor e personagens legais.

Em momento algum achei o filme lento (o que seria um tanto quanto irônico). Antes que terminasse a pipoca, eles já estavam em Londres e tinham percebido que seria mais difícil do que o imaginado para dar conta do outro grupo criminoso. Eles eram precisos, tinham bons equipamentos e não tem muito a perder. O “algo a mais” do Toretto, Brian e o restante da equipe são os carros. Quando dentro de um, eles sabem o que fazer e isso deixou as cenas de perseguição ainda mais legais porque os membros da outra equipe, também sabiam se divertir atrás de um volante. Inclusive, a Letty, ex-namorada do Don e até o filme passado dada como morta, é uma integrante dessa outra equipe.

Os motivos que fizeram com que ela estivesse ali, a tentativa do Toretto para trazê-la para o lado do “bem” e  alguma outra coisinha, são apenas bobagens em segundo nível. Lembra que eu falei que é melhor desligar o cérebro antes de filmes como esse? Então, percebi que tinha feito o certo ao ver o Brian, um dos mais procurados pela Interpol, entrando nos Estados Unidos atrás de uma resposta. Sei lá, cara. É muito mais fácil jogar no Google e copiar algo do Wikipédia.

Algo que muito me impressionou no filme foi a estranha gravidade daquele universo. Nas perseguições, nego pula de um carro ao outro de uma forma que nem o Superman é capaz de fazer, mas do que estou falando? É Velozes e Furiosos.

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i believe i can fly

 

Em Os Vingadores, naquela cena em que o Hulk pula de um prédio ao outro a amortece a queda do Homem de Ferro no asfalto, me lembro de ter vibrado. Porra, foi uma cena de respeito. Em Velozes e Furiosos 6, quando o Toretto acelera o carro, sobe em cima dele, espera o carro bater no muro para ganhar mais força, pula de um lado ao outro da ponte (sério) e consegue agarrar sua amada no meio do caminho e ainda cair em cima do para-brisa de outro carro e assim, amortecer a queda, eu também vibrei. Caras, que cena linda. Don Toretto só não é o Hulk, pois esse é o cargo do The Rock.

Nunca esperei pelas cenas de briga em Velozes e Furiosos, mas nesses dois últimos filmes, negada está de parabéns. The Rock e Vin Diesel praticamente não usam armas de fogo. É punho, força bruta e marra. Se no meio do filme, qualquer um dos dois aparecessem fazendo um supino maroto de fundo em alguma cena, não me surpreenderia e até acharia justo.

Fast and Furious 6

é o bonde da maromba

 

Há uma reviravolta (claro), perseguição envolvendo um avião do tamanho do mundo, mais pancadaria, uma tentativa de drama e o filme acaba. É isso. Aparentemente, esse é o Velozes e Furiosos de verdade. Eu gosto muito dos primeiros filmes pela questão do tunning e corridas de rua, mas como divertimento, esses dois últimos filmes são superiores.

Fazendo aulas de direção, morrendo de vontade de ir amanhã para a academia para fazer um treino maroto de triceps e ainda enlouquecido pela cena final do filme (sério, algo muito grande vai acontecer com a franquia, será foda), dou 9 Xícarazinhas para Velozes e Furiosos 6.

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Homem de Ferro 3: ele é o Homem de Ferro, do que mais precisa?

27 abr

“I’m Iron Man.”

O desespero idiota de estar olhando para um site dedicado aos horários dos cinemas de sua cidade e na véspera de uma estréia muito esperada, o site não estar atualizado e você não saber quais os horários para o filme. Esse era eu e o desespero era realmente idiota. Donos de cinema lamberiam pênis de mendigos quaisquer para poder ter um filme do porte de Homem de Ferro 3 em cartaz, em seus cinemas. É um daqueles filmes que simplesmente vendem toneladas de ingressos. Simples assim.

Ao me dar conta de que todos os cinemas daqui da cidade iriam, claro, passar Homem de Ferro 3 e eu não iria acabar morrendo em uma explosão de chamas azuis tamanha ansiedade, fechei o site e fui twittar besteiras. Horas depois, já na madrugada do dia de hoje (não por um acaso, data de estréia do filme), voltei ao site apenas para ter certeza quanto aos horários e pelos deuses, ele estava atualizado. Escolhi o horário mais cedo de todos e caso algo desse errado, já tinha um plano B: a próxima sessão seria apenas meia hora depois. Tudo estava certo.

Coloquei o celular para despertar mais cedo que o normal, assisti um episódio de The Office para dormir mais tranquilo e quando dei por mim, já estava entrando no shopping e me encaminhando a passos largos em direção ao cinema. Como é de se esperar em estreias desse porte, muita gente estava ali. Consegui comprar o ingresso para a primeira sessão (não precisei usar o Plano B) e me fui até a fila para entrar.

Como sou muito jornalista, documentei em forma de imagem o momento em que em toda minha elegância, esperei na fila:

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Comprei uma pipoca média e uma Coca, entrei na sala, escolhi um lugar mais para o centro e notei algumas coisas:

1) não estava tocando nenhuma música. Geralmente, até que o filme comece, músicas são usadas para divertir ou distrair a galera. Já faziam isso no Coliseu;

2) a sessão estava cheia de crianças. Algumas tinham saído da escola, outras tinham matado aula para assistir o filme e outras tinham sido trazidas pelos pais;

3) a pipoca, ao contrário da última vez, não estava rançosa;

Até que o filme começasse, fiquei twittando. Twittes foram twittados, a sala se encheu, as luzes se apagaram e depois de trailers (THOR!), Homem de Ferro 3 começou.

Gostei do filme. Os trailers davam a entender que seria mais “sombrio”, mas acaba sendo o mais “leve” dos 3 filmes do herói. Nada de enrolação ou cenas muito longas, tudo acontece rápido e a todo momento. Tony Stark continua sendo Tony Stark, porém, agora com uma carga a mais de responsabilidades e problemas. Os acontecimentos em New York (Os Vingadores) mexeram com ele.

Ele sabe que é visado e caso algum vilão decida destruí-lo, não teria tantos problemas assim, pois todos sabem que Tony Stark é o Homem de Ferro. Ele tem medo que algo aconteça com a Pepper e vê alguns fantasmas de seu passado voltarem. Vê também, um terrorista chamado Mandarim se tornar presente nos noticiários e bater de frente com o governo americano. Depois que Happy Hogan, seu ex-motorista e atual chefe de segurança das Indústrias Stark, fica em coma por causa de um atentado do Mandarim, Stark decide comprar a briga que, de início,  nem era sua, e fazer “uma vingança a moda antiga”. Na frente das câmeras, passa o endereço de sua casa e convida o Mandarim para ir até lá. O Mandarim não vai, mas manda alguns presentes.

Depois de quase perder aquilo que era mais importante para ele (Pepper) e ver sua casa, com boa parte dos seus brinquedos, ir parar no fundo do mar, se vê apenas com uma armadura danificada e a obrigação de fazer algo. Mais uma vez, mostra que antes de ser um projetista, um cientista e um gênio, é um bom mecânico.

eai, gata

 

O filme surpreende muito com o vilão. O Mandarim, o terrorista foda que aparecia na frente das câmeras, é um simples ator que segue o script criado pelo verdadeiro vilão. Muitas pessoas não gostaram disso. Os fãs do Homem de Ferro dos quadrinhos, devem ter se retorcido de ódio com isso. Eu achei ótimo.

Prefiro duas mil vezes um vilão forjado do que transportar o Mandarim original dos quadrinhos para esse universo criado pela Marvel nos cinemas. Tudo bem que Thor, um deus vindo diretamente de Asgard, deixa as coisas menos sérias, mas colocar um vilão que usava anéis em cada dedo das mãos e que cada um desses anéis lhe davam poderes diferentes, seria estranho para aquele universo.

Estava curioso para descobrir o que seria tão difícil de se destruir que obrigaria o Stark reunir aquele exército de armaduras que é mostrado no trailer. A cena final com várias armaduras, Tony Stark, Pepper, o real vilão, Patriota de Ferro e o presidente dos Estados Unidos, ficou boa. Achei que o quebra pau seria maior e poderia achar que no momento em que as armaduras estavam em modo batalha, a câmera tenha ficado muito com Tony Stark, mas o filme não é sobre as armaduras. Esse terceiro filme, eu diria, não é nem sobre o Homem de Ferro. Mais do que os outros, esse filme é sobre o homem que veste a armadura, Tony Stark.

No final do filme, quando o Stark aparece deitado na cama de um hospital, se recuperando da cirurgia que tirou os estilhaços que ficaram presos em seu peito, colocavam sua saúde em risco, o obrigaram a criar o Reator Ark e de certa forma, o tornaram o Homem de Ferro, por meio segundo, a sombra de um pensamento idiota passou pela minha cabeça.

“Ué, ele não vai mais ser o Homem de Ferro?” – pensei, em um momento de estupidez. Tony Stark não precisa de um reator grudado no peito para vestir uma armadura e ousaria dizer que Tony Stark nem precisaria vestir uma armadura para voltar a ser aquilo que ele é e sempre será: o Homem de Ferro.

O filme vai ganhar várias críticas negativas e algumas notas salgadas, mas nesse espaço e em meu coração (nossa), Homem de Ferro 3, ganha a nota máxima possível desse blog, 10 Xícarazinhas.

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“I’m Iron Man.”

É um filme recheado de humor, amarra algumas pontas soltas, traz de volta alguns personagens (como o Yinsen, aquele cientista que ajudou o Stark a fugir da caverna no primeiro filme), humaniza um pouco mais o personagem funciona muito bem, tanto para fechar um arco (iniciado com o primeiro Homem de Ferro) como para começar um outro.

Não sei até que ponto o homem é a armadura e a armadura é o homem, mas gostaria muito de saber até que ponto Robert Downey Jr é Tony Stark e até que ponto Tony Stark é Robert Downey Jr.

 

Oblivion: complicado e perfeitinho

25 abr

Estou enrolando há quase duas semanas para escrever esse post. Não existe um motivo em especial, é mais por não estar envolvido na paixão por escrever. Estou meio desiludido dessa história de blog, mas como a data para pagar a mensalidade da hospedagem está chegando, tenho que postar alguma coisa para não ficar ressentido.

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Era um sábado qualquer e eu não queria passá-lo mofando em casa, depois de dar uma olhada nos filmes em cartaz, parti em direção ao cinema. Cheguei uns 10 minutos adiantado e eficaz que sou, já comprei o ingresso, pipoca média e 1 (uma) coca e entrei na sala. Estava tocando alguma música ruim de alguma dessas bandinhas atuais (talvez fosse One Direction), escolhi um lugar mais para o centro da sala e esperei o filme começar. Notei que a pipoca estava meio rançosa, amaldiçoei a atendente da bomboniere e tive a atenção roubada por uma menina bonita que passou em direção aos assentos da frente com sua mãe (acho).

A música ruim silenciou-se e as luzes se apagaram. Os trailers começaram e acabei por me dar conta que Homem de Ferro 3 (que estréia amanhã, aliás) será mais grandioso do que eu imaginava. Fim dos trailers e Oblivion, a possível salvação de minha noite de sábado, começa a ser transmitido na tela.

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O filme se passa no futuro, em 2077 e a Terra está toda destruída por uma guerra dos seres humanos contra alienígenas. A população sobrevivente foi enviada para outro lugar e o personagem do Tom Cruise é um dos poucos que foi deixado para “limpar o salão e trancar as portas”. Mais alguns dias e eles poderiam se juntar ao restante da população, mas por conta da queda de uma espaçonave não identificada e de uma tripulante bonita que perambulava em seus sonhos, as coisas mudam.

Eu curti o filme. Pelo trailer já dava para perceber alguns planos bem trabalhados, mas o filme inteiro é cheio de cenas como essa da imagem um pouco acima. É um filme visualmente muito bonito. A palheta de cores utilizada é bem boa e acho que isso pode ter me atrapalhado um pouco.

No começo do filme, estava tudo bem. A história é interessante e as cenas são boas, mas acho que depois da metade do filme, acabei por ficar fascinado com os cenários belos (ou talvez tenha ficado olhando para a menina bonita) e em uma das reviravoltas do filme, eu me perdi e não consegui mais me encontrar. Não quer dizer que não entendi o filme, eu o entendi e gostei do que me foi apresentado, mas fiquei com dúvidas em relação a algumas coisas.

a lua também foi destruída

a lua também foi destruída e é bonita

 

Interessante foi ver Jaime Lannister saindo dos cenários de Game of Thrones e atuando em um filme futurista. Nikolaj Coster-Waldau, o ator que interpreta o irmão gêmeo e amante de Cersei, não está nada diferente no filme. Não me lembro de ter assistido algum outro filme com ele (sem contar Shrek, claro) e ele parece ser um bom ator.

Comigo, o filme ganhou alguns pontos por ter uma ruiva bonita nadando nua em uma piscina e mais alguns por colocar o Tom Cruise para correr, mais alguns pontos por ter o Morgan Freeman e mais alguns por mostrar o quão bonita a Terra poderia ser ao estar completamente destruída.

Sem medo de ser injusto ou exagerado, em toda minha sabedoria e conhecimento infindáveis, dou 8 Xícarazinhas para Oblivion.

08

(se tivesse rolado um close na ruiva nadando pelada, eu poderia ter dado uma nota maior. Se ela fosse natural, talvez 10 Xícarazinhas)

A Terra pode ter sido destruída, mas aquela noite de sábado foi salva por Oblivion.

Django Livre: minha curiosidade, minha atenção e meu respeito

27 fev

O “D” pode ser mudo, mas Django faz barulho.

Já faz um tempo que vejo Django recebendo todo tipo de elogios nesse vasto reino chamado “internet”. Como não deixaria de ser, a vontade de assistir o filme e conferir a veracidade dos elogios logo me veio, mas como dito em alguns posts passados, o cinema que normalmente marco presença está deixando a desejar. Django nem ao menos está em cartaz nele, o que significa que tive que sair de minha zona de conforto e ir a outro cinema. Assim foi e assim fui.

Entrei no site do shopping, fui até a sessão “Cinema”, dei uma olhada nos filmes em cartaz e encontrei Django. Escolhi o horário e me planejei, afinal, tudo envolve um plano. Antes de ir ao cinema, passei num escritório contábil para resolver coisas e de lá, segui a pé para um dos 4 (acho) shoppings daqui da cidade. Subi ao 3° andar e fui em linha reta, porém sempre elegante, ao guichê para a compra do ingresso. Lá, uma surpresa: por ser quarta-feira, paguei metade do preço. Escolhi um lugar mais no centro da sala. Na bomboniere, um dilema surgiu: comprar ou não uma pipoca?

Algo que precisa ser acrescentado: um siso maldito está rasgando minha boca de dentro para fora. Para se ter uma ideia, até para ir na academia estou tendo dificuldades. Logo, nada mais justo do que optar por não comprar pipoca. Quando vou ao cinema, pretendo me divertir e não vejo como isso seria possível com o siso gritando de dor. Achei que seria legal de minha parte não provocar o siso. Ele fica na dele e eu na minha. Ambos não queremos uma batalha, por isso tento não causar dor a ele e ele, por sua vez, não me incomodará por muito mais tempo. Somos seres civilizados e não precisaremos recorrer a métodos sangrentos.

Entrei na sala quando as luzes já estavam sendo apagadas, fui até o lugar escolhido, assisti alguns trailers quaisquer e Django, em toda sua glória, começou.

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O filme começa nos mostrando uma dupla de vendedores de escravos transportando sua mercadoria por aí. Os escravos, todos devidamente acorrentados, sabem que não podem fazer nada a não ser andar até o mercado escravagista mais próximo e esperar que alguém os compre. Esse era o destino deles e esse era o destino de Django, mas graças a um ex-dentista e sua arma em uma fria noite, o destino é mudado.

Django, de forma pouco hortodoxa, é comprado pelo ex-dentista, Dr. King Schultz. Este, por sua vez, largou essa profissão por uma mais rentável: caçador de recompensas. É justamente aí que Django, momentos atras um escravo, vê sua vida mudar. O tal caçador de recompensas está atrás de 3 irmãos e precisa que Django os reconheça. Uma parceria se inicia e nela, uma história de amor e vingança.

Os 3 irmãos são localizados e mortos, Django se vê livre, mas decide continuar sua parceria com Schultz, com a condição que ao fim do inverno, ele irá atrás de sua esposa,  Brunhilde, uma escrava que desde muito nova foi ensinada a falar em alemão e foi vendida, até então, não se sabe para quem.

O filme aborda muito bem a escravatura. Desde o preconceito dos brancos ao ver Django montado em um cavalo até a nos mostrar a situação dos negros. Tarantino disse em uma entrevista que esse foi o objetivo dele e ouso dizer que ele atingiu êxito. Assim como os judeus de Bastardos Inglórios, a escravatura é algo que não pode, de forma alguma, ser esquecido ou deixado de lado. Tem que estar presente; tem que ser lembrado. Foi cruel demais, isso não pode voltar a acontecer. Aliás, pegaram a ótima e cômica referência a Ku Klux Klan?

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O ultimo filme que me agradou tanto, foi Os Vingadores e isso é um baita elogio. Desde os diálogos até a excelente trilha sonora, passando pelas atuações e violência, em “Django Livre”, tudo só fez aumentar o sorriso no meu rosto. Poderia reassistir o filme logo em seguida e acharia tão fantástico quando da primeira vez. Talvez não seja o melhor filme do Tarantino, mas considerando o nível dos outros filmes dele, isso não pode ser considero algo ruim.

Django é um filme que deve ser assistido. Seja pela violência, pela história de amor ou apenas para assistir Samuel L. Jackson, grande defensor dos direitos dos negros, representando um escravo, de certa forma, preconceituoso.

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Poderia citar mais coisas, mas sinto que se continuar escrevendo, não pararei até ter reescrito essa formidável história. Darei minha nota, recomendarei fortemente o filme e irei continuar ouvindo a maravilhosa trilha sonora desse filme.

Django Livre, em toda sua elegante violência e toda sua perfeição, ganha minha nota máxima, 10 Xícarazinhas e entra em um seleto grupo.

10

Todos devem assistir esse filme, afinal, todos têm o direito de se divertir. Django, assim como Red Dead Redemption, me mostrou que é possível se divertir no Velho Oeste.

Caras, amei esse filme.

 

Duro de Matar – Um Bom Dia Para Morrer: de rolê por Chernobyl

25 fev

Foram dias de tristeza. Dias em que a mais brilhante estrela estava apagada. Dias em que o mais saboroso café esfriava. Dias em que até a Scarlett Johansson estava feiOK, as coisas não estavam tão mal assim. Quase dois meses sem apreciar a sétima arte em toda sua grandeza mexeu comigo. Meu mundo estava menos mágico e a culpa não era necessariamente minha.

Já faz algum tempo que estou querendo ir no cinema para assistir Django, A Vida de Pi e até Os Miseráveis, veja só, mas o cinema no qual estou acostumado a ir está falhando com minha pessoa. Um exemplo dessas falhas? Eles não tem sessão para Django. Não sei se por opção do cinema ou da distribuidora, mas para assistir o novo filme do Tarantino, elogiado por todos, sucesso de bilheteria e ganhador de Oscar, terei que ir a outro cinema, saindo da minha zona de conforto. E é isso que farei.

Mas Duro de Matar não é filme do Tarantino e John McClane não é escravo. Duro de Matar é cinema para desligar o cérebro e relaxar.

Com preparativos de ultima hora, cheguei ao cinema com apenas 10 minutos de antecedência. De forma rápida, fria e calculista, porém sempre elegante, comprei o ingresso. Por burrice, optei por não comprar a clássica dupla “Pipoca média e uma Coca”.  Passei o filme inteiro sem saber o que fazer com minhas mãos e talvez por isso tenha passada a mão na coxa de uma morena.

O que posso dizer do filme? Sei lá, ele é bonito e cumpriu com o prometido. Tiros, explosões, chamas, Bruce Willis sendo John  McClane e uma historinha de pai e filho que de forma surpreendente, se mostrou boa.

John McClane, assim como Capitão Nascimento, trabalhou demais e acabou deixando a família de lado. Ele se sente culpado e ao ver o filho fazendo merda, decide resolver a situação. Vai até Moscow e é aí que a história começa, meus amigos. John McClane em toda sua louca e genial violência, infringindo leis sem se importar com nada. Na Rússia.

Aliás, o que se tem na Rússia? Digo, sem ser acidentes entre carros e vodka. Sim, isso mesmo, russas. E o que russas são? Belas, geniosas e vilãs.

bela moto, hein?

bela moto, hein?

Me considero uma pessoa que sabe se expressar com palavras, mas não sou capaz de descrever a grandiosa cena de perseguição desse filme. Caras, é inacreditável a destruição que uma perseguição pode fazer. Imagine o Sérgio Malandro dirigindo um tanque de guerra  após cheirar meio metro de cocaína. É mais ou menos isso a perseguição da qual estou falando. Destruição, caos, russos dirigindo, meu cérebro grudado no teto, um sorriso no meu rosto e um rastro de sangue na careca do Bruce Willis.

Uma coisa me incomodou: o relacionamento dos dois McClane. No começo do filme, o Jr. não suporta ver o pai. Sendo babaca, até parece odiar o pai, mas no final do filme eu não ficaria muito surpreso com uma clássica cena do pai ensinando o filho a andar de bicicleta. Felizmente não teve essa cena e agora que paro para pensar, talvez pular de prédios, dar tiros, explodir coisas, matar pessoas e ir a Chernobyl, seja uma dessas experiências que acabe por unir pai e filho. Quem diria, Chernobyl salvando relacionamentos.

Não se pode confiar em ninguém no filme, além, é claro, de John McClane. Esse cara nunca nos decepciona. Seja com frases de efeito ou usando a física para desestabilizar um helicoptero, John McClane sempre faz o que se espera dele. Duro de Matar – Um Bom Dia Para Morrer, com todas sua dose de “violência arte”, cenas puramente russas e cumprindo com o prometido, ganha 8 Xícarazinhas.

O filme é bem bom. Meu pai gostaria dele e não posso fazer elogio maior.

 

A Origem dos Guardiões: não é O Hobbit, mas é bom

2 jan

 Segundo dia do ano, eu estava trabalhando e comecei a pensar em O Hobbit. Que grande história aquela. Me bateu uma vontade de rever o filme e pensei “porque não?” Não obtive respostas e decidi que iria hoje mesmo. Saquei o celular do bolso, fui no site do shopping e vi a programação. Percebi que se fosse rápido, daria tempo de ir para casa, tomar um banho, comer alguma coisa e conseguiria pegar a sessão das 18:30. Rápido fui e iria conseguir pegar a tal sessão. “Iria”, pois um FDP decidiu mudar a programação de ultima hora. Ao chegar na frente da bilheteria, percebi que a sessão que tinha tudo para ser magnífica, tinha sido trocada pela exibição de Detona Ralph. Eu já tinha assistido o trailer de Detona Ralph e até achei legal, mas estava com ódio demais para suportar 2 horas disso. Saí pisando duro (dúvido muito, pois meu tênis é macio) e fui dar uma olhada na programação. Tinham mais duas sessões de O Hobbit, para 20:30 e 21:30. Eu não consigo me imaginar enrolando por 2-3 horas no shopping para esperar o ínicio de um filme. Até poderia, mas só me restavam 17% da bateria do celular, então não.

 Por breves, mas gloriosos instantes, pensei em aceitar a derrota, voltar pra casa e descansar para o dia de trabalho árduo que amanhã será, mas não sou de desistir fácil. Vi qual era a próxima sessão a ser iniciada (sem ser Detona Ralph), comprei um ingresso, uma pipoca média, uma Coca e fui assistir.

A Origem dos Guardiões é um filme legal. Algo que eu gostaria de ter assistido quando criança ou pelo menos antes desse ultimo natal. É um daqueles filmes que te lembram da magia, entende? Chegar dia 25 de Dezembro e estar nervoso com a provável visita de Papai Noel, fingir que está dormindo para quando a Fada do Dente viesse pegar o seu ex-dente, você surpreendê-la e etc. Vez em quando me pego me obrigando a voltar a acreditar nisso. Era mais legal quando na minha cabeça, tudo isso era possível.

No filme, o Bicho Papão coloca em prática um plano para subir ao trono dos ~ seres mágicos~, mas por ser o Bicho Papão, boa coisa ele não está planejando e cabe aos guardiões impedir isso. Aliás, os guardiões são legais. Um Papai Noel que não contente em ter duas espadas, tem a largura de 16 Rafaéis lado a lado, uma Fada do Dente que está no limiar entre ser fofa e uma l0uk4 de crack, um Coelho da Páscoa que com um pouco mais de treinamento poderia estar no próximo Assassin’s Creed e o Sandman que além de ser o personagem mais carismático, se mostra quase um Lanterna Verde. Juntos, eles precisam impedir o plano do Bicho Papão e assim sendo, impedir que sejam esquecidos pelas crianças. Aliás, esse é um ponto legal. Se as crianças deixam de acreditar em algum desses seres mágicos, eles são esquecidos e deixados de lado. Na realidade deles, isso é o que há de pior. Para garantir o sucesso dos guardiões, Jack Frost (ser mágico pouco conhecido aqui no Brasil por questões óbvias) é convocado para ajudar, mas para isso, ele precisa ser lembrado.

O filme é bem legal e acho que se eu já não estivesse psicológicamente preparado para os anões de O Hobbit, o teria curtido mais. Dou 8 Xícarazinhas sem medo de errar e quero voltar ao cinema para assistir O Hobbit mais uma vez.