Conheça Luciana, a garota que nunca jogou Mario

25 abr

Duas coisas tristes? Morte do Mufasa e adeus do Goku.

Mais uma coisa triste? Esse post.

Uma grande amiga (existe teorias de que talvez seja uma prima), revelou que nunca jogou Mario. Sim, ela revelou que NUNCA JOGOU MARIO. Eu, uma pessoa que passou três anos jogando unica e exclusivamente Super Mario World no SNES, fiquei chocado. Utilizando de meu dom de levar as coisas pro lado cômico, sugeri que isso era algo tão abismal que precisaria ser um post. Ela topou. Me escreveu um e-mail contando resumidamente seu martírio. Muito prática, escreveu o e-mail como se estivesse falando diretamente para os leitores deste incompreendido blog.

A seguir, relatos verídicos de uma pessoa incompleta:

Olá queridos terráqueos, tudo bem com vocês? Sim, terráqueos, pois o fato de eu nunca ter jogado ‘Mario Bros’ só pode significar que vim de outro planeta. Certo?

Enfim, eu poderia contar, com ricos detalhes, a historia de uma pequena garota e seu irmão que ganharam seu primeiro vídeo-game em um natal passado, mas isso não vem ao caso, já que esse pequeno artefato não me ajudou a galgar o sonho mais lindo de todo jogador de vídeo-game.

Zerar Mario Bros.

Joguei clássicos, lógico, ‘Street Fighter’, ‘Sonic’, ‘Golden Axe’, mas não o pequeno Mario.

Considerada por muitos a-garota-que-não-teve-infancia foi difícil passar por essa fase de minha vida, ainda é, sinto o trauma disso rolando pelas minhas veias dia após dia. É como se eu simplesmente não fizesse parte da sociedade!

Mas, como bem aprendi com meu bom e velho Frodo, a esperança é a ultima que morre.

Um dia, não muito distante, jogarei esse épico jogo, e finalmente farei parte de uma elite.

Até, e que a força esteja com vocês.

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Que triste história, amigos. Uma lágrima masculina poderia escorrer de meu olho nesse momento…

A alguns anos atrás, se você não tivesse um SNES (video-game de pessoas de bom gosto) era meio que excluído da turma “cool”. Eu, em minha defesa, até tentava puxar um assunto com os excluídos. Por dois motivos:

1º – O Mega Drive não era algo inútil. Tinha jogos legais. Qual melhor motivo para se começar uma amizade do que a possibilidade de jogar aquele jogo que você estava numa moto e poderia dar socos, chutes e correntadas nos adversários? Como eu tinha um SNES, sempre que queria correr com o Sonic, tinha que ir na casa de um Seguista. Pensei numa piada com “Sego”, mas não ficaria legal.

2º – Na grande maioria das vezes, os donos do Mega Drive não tinham culpa. Muitos se tivessem recebido a opção de escolher o console pelos pais, teriam escolhido o SNES. O mundo é malvado com algumas pessoas.

Mas rapidamente minha mente infantil e cruel, percebia que não iria conseguir manter uma conversa saudável com alguém que preferia Sonic ao Mario. Era errado demais. Aquele tipo de amizade que meus pais me ensinaram a evitar.

Raramente se encontrava um jogador da Sega que pudesse ser considerado “legal” e quando encontrado, ele rapidamente entrava na turma do “bem” e era apresentado ao mundo de verdade.

Bom, parece-me que a Luciana jogou alguns dos poucos jogos legais do Mega Drive, mas isso não diminui a proeza de nunca ter jogado Mario. Pelo que percebi, ela era, de certa forma, hostilizada por ser “diferente”. Me desculpe Luh, mas acho justo. Talvez se você não tivesse passado por isso, não teria tido forças pra enfrentar esse problema. Você está indo muito bem. O primeiro passo é se dar conta de que precisa mudar. Eu estarei de dando o maior apoio.

Um trecho da história dela me chamou atenção.

“… sinto o trauma disso rolando pelas minhas veias dia após dia. É como se eu simplesmente não fizesse parte da sociedade!”

Amiga Luciana, quer continuar nisso? Quer envelhecer, ter filhos e netos, os ver jogando a mais nova versão do Mario e não suportar encara-los por VERGONHA de não ter tido o prazer de ter total controle sobre um corajoso encanador italiano? Tenho certeza que não. Imagine as expressões de decepção nos rostos deles ao perguntarem: “Mamãe, você levou quantos dias pra zerar Mario?” e ouvirem um soluço que anteciparia um choro como resposta. Eles perderiam o respeito por você.

Luciana, jogue Mario.

Jogue pela Princesa que precisa ser salva.

Jogue pelo Mario que precisa ser épico.

Mas o mais importante de tudo: jogue por você e por sua moral.