Música de Quinta #11 – Menina Veneno

22 mar

Um clássico da música brasileira. Tenho certeza que sua vizinha dançou muitas danças ao som de “Menina Veneno”. Como eu poderia não escrever sobre ela? A Menina Veneno, não sua vizinha.

Demorei para conseguir pegar o real significado da letra e por isso, na semana passada, não tivemos um “Música de Quinta”. O que vocês tem que entender é que uma música é como uma cebola. Existem muitas camadas e só depois que você passa por essas camadas, encontrará aquilo que estava procurando. Ocasionalmente, as pessoas choram.

MENINA VENENO – RITCHIE

Meia noite no meu quarto
Ela vai subir
Ouço passos na escada
Vejo a porta abrir

OK, esse começo é interessante. Aparentemente, nosso “eu lírico”, tem um encontro marcado com a tal menina veneno. O quarto dele é o ponto de encontro e por algum motivo, ela vai até ele. Será ele um frouxo? Será ela uma espiã russa? Será eles um apaixonado casal de foras da lei?

Ele, com sua treinada audição, identifica passos na escada e vê a porta abrir. Acho que deve ser a menina veneno.

Um abajur cor de carne
Um lençol azul
Cortinas de seda
O seu corpo nu

Hum, interessante e estranho. Quem teria um abajur cor de carne? Será isso uma espécie de código ou (e tenho muito medo dessa teoria) o abajur é feito com carnes? Algo no estilo aquele vestido da Lady Gaga, sei lá.

Lençol azul e cortinas de seda = um motel, talvez?

Agora, de quem é esse corpo nu? Da menina veneno, do Vagner (o eu lírico) ou talvez seja o corpo de uma outra pessoa e a carne usada no abajur seja dessa tal pessoa? Um crime!

Menina Veneno
O mundo é pequeno
Demais pra nós dois

É, “Menina Veneno” é decididamente um codinome. A teoria da espiã ainda pode estar de pé, hein?

Ah, não. A teoria da espiã acabou de ser destruída. Com “o mundo é pequeno demais pra nós dois”, Vagner deixou claro que a Menina Veneno é uma gorda. Daquelas gordas bem escrotas, sabe? Daquelas que você teria medo de encontrar em um corredor.  Essa gorda é nossa Menina Veneno.

Espiãs não são gordas.

Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você, só dá você
Yeh! Yeh! Yeh! Yeh!

SIM!

Afinal, dividir uma cama com uma gorda nessa magnitude não deve ser fácil, não? Imagino que Vagner deva pesar no minimo uns 50 kilos e dividir uma cama com uma menina veneno de 250 kilos deve ser complicado. Só dá ela na cama.

Seus olhos verdes
No espelho
Brilham para mim

Opa, estamos chegando mais perto da identidade da menina veneno. A informação de que ela tem olhos verdes, somada a informação de que ela é gorda, reduz muito os nomes em nossa lista. Não devem existir tantas meninas venenos, gordas e de olhos verdes. Aliás, acho que vi uma esses dias no shopping. A praça de alimentação era o territória dela.

Seu corpo inteiro
É um prazer
Do princípio ao fim

250 kilos de prazer? Oh, não! Vagner, você não pode ter feito isso!

Sozinho no meu quarto
Eu acordo sem você
Fico falando pras paredes
Até anoitecer

Vocês, pessoas negadas a fonte de inteligência e sem elegância, não devem saber o que aconteceu, mas eu, hábil e elegante que sou, já matei a história.

Vagner é um cirurgião clandestino. A Menina Veneno quis fazer uma cirurgia para reduzir seu peso e após receber muitas respostas negativas, procurou alguém sem escrúpulos e que fosse aceitar fazer a cirurgia. Vagner é essa pessoa. Ele claramente opera seus pacientes em um quarto de motel.

Eu, ousado que sou, afirmo que Vagner é o dono do motel. Isso faria com que ele tivesse livre acesso aos quartos (ou salas de cirurgia), muitos corpos para trabalhar (os clientes) e poderia transitar por ali sem chamar a atenção. Vagner é genial.

Acredito que ele tenha operado nossa menina veneno e por não ser um médico profissional, tenha errado na dose de tranquilizante (para uma mulher gorda desse jeito, teria que ser um dose cavalar), ela acordou no meio do procedimento e ao se ver aberta em cima de uma cama de motel (parece nome de filme pornô, não?), ficou louca de dores, se esqueceu do que estava acontecendo, deu uma pancada na cabeça de Vagner e saiu correndo motel a fora.

Vagner ainda atordoado, não foi atrás. Com medo de seus procedimentos ilegais serem descobertos por autoridades competentes, achou que seria uma boa ideia sumir com as evidências. Um pedaço gigantesco de pelanca que já tinha sido retirada da tal gorda, acabou se transformando no abajur.

Após terminar o excêntrico abajur, se sentou na cama e esperou a gorda voltar ao quarto. Foi nesse momento que ouviu passos na escada e viu a porta abrir.

Menina Veneno
Você tem um jeito
Sereno de ser

OK, mesmo pelada, aberta e com um pedaço de seu próprio corpo sendo usado como cobertura de abajur, a gorda se mantém serena. Admiro isso nela.

E toda noite
No meu quarto
Vem me entorpecer, me entorpecer, me entorpecer
Yeh! Yeh! Yeh! Yeh!

AH-HA

A gorda vai toda noite naquele quarto para o entorpecer. Será que ela faz isso de forma sexual ou química?

Será uma prostituta obesa ou uma traficante de drogas obesa?

Aposto na prostituta.

prostituta

Você vem não sei de onde
Eu sei, vem me amar
Eu nem sei qual o seu nome
Mas nem preciso chamar

Vagner, que coisa linda cara.

Quem, se não eu, poderia imaginar que a prostituta gorda e operada ilegalmente viveria uma louca paixão com o dono do motel e cirurgião operando na ilegalidade?

É disso que a vida é feita meus amigos: prostitutas, abajures pouco hortodoxos, cirurgiões, amores e bacon.

Sim, bacon. Ainda não comentei isso, mas em “seu corpo inteiro é um prazer, do princípio ao fim”, ficou mais do que claro que Vagner mantinha relações sexuais com a menina veneno e pegou o restante do material utilizado no abajur (o resto de pelanca), colocou na frigideira e fez daquilo um saboroso e exótico bacon.

Acha que as coisas já estão estranhas o bastante? Tolo.

O codinome da gorda é Menina Veneno. Quando Vagner comeu do bacon dela, ele foi envenenado pelo bacon da menina veneno e morreu. A gorda, triste pela morte do amado e infeccionada por estar com a barriga aberta em um quarto de motel, adquiriu uma doença qualquer e morreu.

O casal errado, mas apaixonado, de certa forma, se matou.

É disso que a vida é feita, não é?