Música de Quinta #7 – É Tenso – Fernando & Sorocaba

14 dez

É quase como assistir Se Beber, Não Case, mas só que no caso, ouvindo.

A fonte da qual bebi para ter essa interpretação dessa música, foi um determinado tweet da jovem @juzao:

É meu defeito, eu bebo mesmo
Beijo mesmo, pego mesmo
E no outro dia nem me lembro.
É tenso demais!

Quem nunca ouviu da boca de um tio que o motivo dele ter esmerdalhado com tudo na noite anterior era daquela tequila sorvida entre os seios de uma prostituta? É clássico.

O álcool é o combustível responsável pela chama que incendeia o coração bárbaro do ser humano. É ele que transforma jovens educados e com futuros promissores em deuses endiabrados capazes de regurgitar o próprio fígado em troca de mais uma dose de cachaça.

Foi num desses momentos que nosso “eu-lírico” (vamos chamá-lo de  Givanildo) percebeu a insanidade que cometeu. Mesmo sabendo que a tendência de fazer merda depois da primeira lata de cerveja era de mais de 85%, Givanildo foi lá e bebeu mesmo. Depois de já ter bebida mais do que dois vikings com sede pós-batalha, Givanildo já se sentia com coragem de chegar na mulherada. Escolheu uma feia qualquer, beijou e pegou mesmo. No outro dia não se lembrava, mas se alguém dissesse, ele imaginaria que tinha sido uma bela loira de olhos azuis. É tenso.

Beijar: eu gosto.
Beber: adoro.
Qualquer lugar pra mim tá bom
Qualquer paixão me diverte
Tem farra, tô pronto!
Se é festa, me chama!
Sou sem frescura e sem limites.

OK, Givanildo é um ser de gostos simples. De beijar? Ele gosta. De beber? Ele adora.  É quase como conversar com uma criança de 7 anos de idade bêbada de tanto doce que comeu na festa do amiguinho. “De bolo? Eu gosto. De brigadeiro recheado com uma mistura de doce de leite com leite condensado? Eu adoro.”

Percebe-se também que Givanildo não faz muita questão de luxo em suas bebedeiras. Qualquer lugar está bom, afinal, ele não tem frescura e muito menos limites.

O problema é que eu bebo e apronto
Mas depois não lembro de nada
Tudo bem, não faz mal
A gente bota culpa na cachaça.

Olha aí! Givanildo é um cabra consciente! Sabe do problema que tem. Sabe que no momento em que a primeira gota de cachaça encostar em sua língua, seu corpo nas próximas horas estará fadado a fazer merda.

Pode muito bem beber, pegar um carro e matar uma família inteira, roubar uma loja, estuprar uma velhinha, explodir um posto de gasolina, comer pastel servido entre os dedos do pé de um mendigo, chupar os seios de uma freira com lepra, usar dos pelos do bigode de um senhor para coçar língua, fazer um enxerto de pele na mama esquerda, doar o rim esquerdo para um boliviano cego, aprender a manufaturar cachimbos de crack usando de sua própria saliva, fazer sexo com um polvo, amarrar uma vaca no carro e ensinar a uma aldeia de índios marroquinos com quantos paus se fazem uma canoa.

É meu defeito, eu bebo mesmo
Beijo mesmo, pego mesmo
E no outro dia nem me lembro.
É tenso demais!

Depois de uma aventura dessas, quem não iria querer sorver tequila do vão entre os seios de uma prostituta barata, hein?