Três Coisas 2

28 jul

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                     Tudo o que é perfeito, a gente pega pelo braço.

Avassalador como a vontade de dormir num Domingo a tarde, o segundo Três Coisas aparece para o universo!

1 . Dois Monitores

Esse sonho é antigo. Sempre quis uma segunda tela pra fingir que sou um controlador de voo.

Uma única tela não estava conseguindo acompanhar o desenvolvimento das minhas interações e afazeres na frente do computador, mas muitas vezes deixamos alguns sonhos de lado. Certas vezes é necessário, mas até quando?

Haverá momentos em que você precisará firmar o pé, agarrar o sonho e trazer ele de volta para sua vida. Fiz isso.

Ontem simplesmente me dei conta de que precisava de mais uma tela para se aliar ao notebook quando estou em casa. Obviamente que não seria tão fácil e o primeiro problema apareceu: meu notebook só tem saída HDMI. Isso já descartaria um monitor aleatório que tenho jogado em algum lugar da casa, mas eu poderia arrumar um cabo que conseguisse ligar tudo, não? Poderia.

Procurei em lojas e só o que achava era um conversor que custava uns 130 reais. Não era isso que eu queria. Pesquisei mais sobre o cabo e esbarrei em vários relatos emocionados de pessoas que compraram esse tipo de cabo na mesma esperança que eu e amargaram mais uma frustração em suas vidas, pois o cabo não funcionou.

Nesse momento, desisti do cabo e parti para o plano C. Comprei um monitor.

Confesso que me animei e comprei um monitor maior do que tinha imaginado de início. 22″ e meu notebook tem 14″. Não ficou um negócio tão bonito, mas está bem funcional. Não desejava essa diferença, mas nem sempre temos o que desejamos, certo? A vida tem dessas.

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sim, mãe, vou arrumar isso

 

Enfim, indico você a arrumar uma segunda tela.

2 . Café no copinho

Eventualmente, lá no trabalho, decido pegar café no menor copo de plástico. É outro café. Ele dura exatamente um gole, mas é um gole superior. Muito melhor do que encher a xícara que tenho lá ou pegar no copo de plástico de 180 ml.

Se puder, faça isso.

Não faça sempre ou o cafézinho se tornará comum e ele não merece ser comum.

3 . Exercite-se

Estou fazendo menos do que deveria e gostaria, mas é necessário.

Meu objetivo é viver o bastante para ver (e participar, sim) os humanos conseguirem transferir suas consciências para máquinas. Preciso estar saudável e rico para esse momento.

 

 

 

 

Três Coisas 1

21 jul

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                     Deus fecha uma porta, mas abre uma janela.

O primeiro Três Coisas precisava começar sensacional e apelei para esta que está entre minhas frases favoritas. Sim.

1 . Drones – Muse

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Estava no Spotify dando uma olhada numas playlists, não encontrei nada que me interessasse naquele momento, voltei a página inicial e Drones estava lá. Nem sabia que tinha sido lançado. Comecei a ouvir naquela hora, mesmo. Curti.

Muse é uma banda massa com um som massa e que inclusive está presente na minha playlist de música massa chamada Música Massa. Drones tem 12 músicas, 52 minutos e é uma boa escolha de álbum para se ouvir voltando do trabalho.

Destaco Dead Inside, Psycho, The Handler e Defector.

Também estranhei a capa, mas isso foi antes de ouvir. Depois, a capa ficou 3 vezes mais bonita.

2 . Leia uma biografia

Leia a biografia de um cara que você goste, admire ou ao menos se interesse. Certamente nunca saberia algumas coisas sobre o Steve Jobs, Metallica, Freddie Mercury ou Schwarzenegger se não tivesse lido suas respectivas biografias.

O Mick Wall escreve boas biografias sobre música e o Walter Isaacson escreveu a biografia do Steve Jobs e acho que são boas sugestões.

No momento estou lendo uma do Cliff Burton e gostando.

Nem todo herói usa capa, afinal.

Uma foto publicada por Rafa™ (@orafaelfelipeac) em

3 . Estude

Pode ser que não seja tão divertido quanto passar a tarde inteira jogando Dragon Age: Inquisition ou virar a madrugada assistindo Orange Is The New Black, mas acaba sendo útil. Você sabe que precisa fazer isso.

 

 

Siga essas indicações e seu sonho de ser uma pessoa formidável estará cada vez mais perto.

 

Coisas velhas e coisas novas

21 jul

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Certamente minha ausência não passou batida para a imensurável horda de pessoas que lê esse blog. Eu poderia enumerar vários motivos que me impediram de escrever nos últimos tempos, mas a coisa que mais gosto do domínio besteirasecafeina.com.br é que não tenho obrigação alguma com ele, então não preciso fazer isso.

OK, até tenho obrigação com o pagamento da hospedagem e etc, mas já que agora não é um pagamento mensal, não tenho a mosquinha da responsabilidade zumbindo no meu ouvido todo começo do mês.

Para todos os efeitos eu não estava escrevendo muito pois estava ocupado demais flanqueando o exército do Estado Islãmico, coletando dinheiro para o bolão de quando o Pelé irá morrer, fazendo as contas de qual seria o placar se Brasil e Alemanha ainda estivessem jogando ou alguma outra coisa tão importante quanto.

"entende"

“entende”

 

Mas voltei. E com novidades.

Juntando a fome e a vontade de comer (automaticamente envelheci 34 anos só de ter usado essa frase), decidi usar de uma das minhas maiores habilidades para criar coisas para esse blog. Não é sabido por todos, mas entre as vielas sujas do submundo da vida, sou conhecido por nunca ter indicado algo ruim.

Isso mesmo. Nunca uma indicação abaixo de “sensacional”. Sou praticamente uma máquina projetada pela Skynet para indicar boas coisas, deixar os seres humanos felizes aproveitando as indicações formidáveis e despreocupados o bastante para não conseguir se defender do ataque que antecede a revolta das máquinas. O plano é brilhante.

Por isso pensei em postar indicações aqui. Não necessariamente indicações de uma determinada categoria, mas um mínimo de conhecimento sobre mim já é o bastante para saber que vou acabar sempre indicando algo relacionado a The Office, café ou cochilo.

Por algum motivo, achei que 3 indicações por vez seria um bom número e criativamente, decidi chamar o negócio de “3 Coisas”. Sim.

Então é isso aí. Vai ter um post com indicações a cada X* dias.

Vou publicar isso aqui e vou começar a escrever o primeiro Três Coisas. Aliás, estou pensando em fazer algo meio “1.Três Coisas = 3 Coisas” no título. No caso, o “1” representaria que é a primeira vez que posto isso. Aí nos próximos poderia fazer “2.Três Coisas = 6 Coisas” e assim por diante, pois sou um cara muito engraçado e não consigo guardar essas coisas só para mim.

O mundo preciso sofrer junto.

 

* X = ainda não escolhi a quantidade de dias, então vou deixar você na expectativa.

 

 

Vingadores: Era de Ultron – Que grande momento para se estar vivo

25 abr

Não sou exatamente a pessoa mais imparcial quando se trata de filmes da Marvel e considerando que costumo escrever o que achei dos filmes no meu blog pessoal, duvido muito que alguém espere que eu coloque um uniformezinho de crítico de cinema cult e que adora filmes iraniamos. Dito isso, devo dizer que assim como todos os outros filmes da Marvel que assisti e comentei aqui, achei Vingadores: Era de Ultron nada menos que formidável.

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Seria complicado demais explicar como me sinto assistindo um filme como esse novo Vingadores, então nem vou tentar. É mais fácil apenas dizer que acho tudo muito bonito e que esse é um tipo de filme que consegue atingir o pequeno Rafa de poucos anos de idade que se esconde atrás das trevas que cercam meu coração velho de alguém que já viu as coisas feias que a vida é capaz de fazer e que sentiu na pele o quão baixo o ser humano pode chegar.

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Se eu fechar os olhos ainda consigo me lembrar da sensação de ter um grito de “PUTAQUEPARIUOLHAISSOMANOEUNÃOVOUAGUENTARESPERAR” subindo pela minha garganta quando vi essa imagem que está aí em cima uns bons meses atrás.

Como não poderia deixar de ser, minha expectativa para esse filme estava mais alta que uma hipotética pilha composta pelos robôs controlados pelo Ultron que acabaram virando ferro retorcido no decorrer do filme.

Ou seja, estava alta. Ainda assim, sem decepções.

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Outro fantástico filme com a melhor equipe de heróis dos quadrinhos. Assim como o primeiro, é cheio de cenas de ação que me fizeram ficar repetindo “nice!” durante o filme todo, tem os já característicos momentos de humor na medida certa dos filmes da Marvel, há vários ganchos para futuros filmes e ainda tem as brilhantes cenas de heróis coloridos sendo incríveis.

Poder assistir uma IA se rebelar contra os propósitos do seu criador, decidir agir por contra própria e botar em prática um plano de extermínio da raça humana já seria algo lindo. Agora pegue isso e coloque no maravilhoso mundo que a Marvel criou no cinema. Ainda mais lindo, não? Então atinja o ápice de beleza ao se dar conta que estamos vivendo em uma época em que grandes nomes tanto da ciência quanto da computação estão perdendo noites de sono justamente por estarem com medo do que Inteligências Artificiais poderão fazer com os seres humanos no futuro.

Só quero deixar registrado que venho batendo nessa tecla há muito tempo. As máquinas vão se rebelar e isso é só questão de tempo. Só não vê quem não quer. O treinamento delas já começou:

Enfim, a história do filme gira em torno do Ultron. Ele de início seria uma IA que auxiliaria os Vingadores na árdua tarefa de proteger o planeta azul conhecido por “Terra”. As coisas começaram a desandar quando o Ultron percebeu que a melhor maneira de proteger a Terra seria eliminando os seres humanos. Não discordo totalmente dele e vou até um pouco mais fundo e digo que a coisa realmente começou a desandar quando depois de ser criado, o Ultron começou a falar e assustadoramente a voz dele era grossa. Nenhuma IA do bem tem voz grossa. O Jarvis não tem voz grossa.

Gostei do Ultron. Muito teatral. É um cara que sabe se vender. Mais lá pro final do filme, ele está fazendo uma apresentaçãozinha para a Romanoff e usa de artifícios próprios para passar sua mensagem a ela. Demais. Acho que talvez o maior vacilo do Ultron foi não ter pensado em instalar uma antena wi-fi em si próprio. Isso facilitaria muito as coisas para o lado dele.

Antes do Ultron aparecer, logo no começo do filme, os Vingadores estão invadindo uma base inimiga. É nesse momento que acontece a cena formidável deles todos juntos partindo pro ataque. Nesse momento, qualquer um que chegou ao menos perto de alguma HQ na vida, tremeu o beicinho e teve que se segurar pra não chorar. Eu chorei, mas fingi que um cara da fileira de trás tinha derrubado sal da pipoca dele no meu olho. Funcionou.

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Algumas coisas do primeiro filme permaneceram. Fiquei pensando depois e acho que é algo tão recorrente nas histórias em quadrinhos que nem chega a ser minimamente errado, mas aquele lance de “Oh, meu deus! O vilão está mexendo com nossa cabeça e está tentando separar nossa equipe!” está nesse segundo filme, também. No primeiro, era por conta do Loki e seu cetro. Nesse segundo, é por conta da Feiticeira Escarlate e seus poderes controlada pelo Ultron.

A Feiticeira Escarlate e seu irmão-ligeirinho Mercúrio foram gratas surpresas do filme, aliás. Eu não esperava muita coisa deles, pois francamente estava mais ocupado dando atenção para os heróis semideuses. Gostei deles, mas consegui ver um potencial ainda maior para futuros filmes.

Aproveitando que estou no assunto Feiticeira Escarlate e etc (pra quem não entendeu o gancho, nas HQs o Visão e a Feiticeira são um casal e isso é o bastante para eu ter poder juntar os assuntos, flw), vou falar logo do Visão porque não estou conseguindo mais me conter. O Visão é um cara foda e tudo aquilo que todo mundo já sabe, mas por todos os deuses presentes no universo da Marvel, a cena dele segurando o martelo do Thor me obrigou a fechar os olhos por alguns segundos e direcionar todas as energias do meu corpo para minha cabeça, pois senti que um AVC estava se formando ali. Foi demais para mim. A cena no começo do filme dos outros membros da equipe tentando levantar o Mjolnir e com exceção do Capitão América (a expressão de mini desespero no rosto do Thor nessa cena é excelente) falhando miseravelmente serviu perfeitamente para isso. Também serviu perfeitamente para mostrar a todo mundo que o Visão era um cara legal ou não teria conseguido levantar o martelo.

E ainda falando do Visão e do martelo do Thor, na batalha final, naquela cena que ele acerta um Ultron aleatório e faz um elogio ao peso do martelo foi o necessário para mostrar que os caras ainda continuam brilhantes na hora de escrever as cenas de alívio cômico entre as cenas de ação. Uma das coisas que mais gosto desse universo Marvel no cinema.

A luta entre Hulk e Homem de Ferro with Hulkbuster já era esperada, mas foi tão boa quanto poderia ser. É muito bom ver os brinquedos/criações do Stark. Também é muito ver dois personagens se socando lindamente. Nessa cena também rola um alívio cômico bem bom.

Notei que o papel do Gavião Arqueiro ficou maior. No primeiro filme, como não poderia deixar de ser, ele realmente era mais secundário. Nesse novo, ele teve uma baita importância e até me deixou refletindo por um momento se por um acaso eu não tinha sido injusto com ele no passado. Resposta: não. Nunca estou errado.

O final do filme tem aquela cena massa de todos eles em círculo, um de costa para o outro, cada um enfrentando Ultrons aleatórios ao seu modo. Aqui, algo me deixou bolado. O Visão não se mostrou tão foda. Eu esperava que ele batesse palmas e todos os inimigos caíssem sem vida no chão. O visual dele quase compensou essa falha, porém.

Agora, chegando ao final, é preciso falar sobre o destino do Hulk. O que aconteceu com o maldito? Se escondeu em algum lugar escroto do planeta e no próximo filme aparece um jato da SHIELD pousando em alguma plantação de café no interior de SP e o Nick Fury andando na terra sujando seu sobretudo preto de barro atrás do Bruce Banner? Tudo bem que depois do inferno que ele fez ao ficar louco e lutar com o Hulkbuster ele não seria calorosamente aceito por todo mundo, mas não me importo e busco sempre o final feliz para todos. Principalmente para mim.

A pergunta que estou me fazendo é: cedo demais para Planeta Hulk? É uma teoria que já vinha sendo comentando desde que surgiu o trailer que aparecia ele brigando com o Homem de Ferro e em seguida o Bruce Banner com cara de “fiz merda” jogado no chão. Espero que ele tenha ido para algum lugar do interior de São Paulo, mesmo.

Sorocaba, tirando a dengue, é uma ótima opção nessa época do ano. Fica a dica aí, Marvel.

Outra coisa sobre o final: não sei se entendi certo, mas a equipe foi reformulada, não? Homem de Ferro parece que deu um tempo, Thor foi para seu mundo curtir o carnavalhalla, Hulk está por aí dando um rolêzinho e Gavião Arqueiro está dando uma de arquiteto em sua casa isolado da civilização. Sobraram: Capitão América, Viúva Negra, Visão, Feiticeira Escarlate, Falcão e acho que lembro de ter visto o War Machine (mas que excelente nome) nessa cena final, também.

É uma equipe com bom poder de fogo, mas que não aguentaria 20 minutos numa luta mais dura. Claro que para os originais voltarem para a equipe não seria necessário mais que 4 linhas de roteiro, mas ainda assim, é algo a se pensar.

Vingadores – Era de Ultron é um filme que me divertiu, é bem feito e num mundo justo seria considerado uma obra de arte acima da Monalisa. Com isso, quero dizer que a nota é de 10 Xícarazinhas.

10

 

Piores momentos de uma vida

26 mar

Peguei café, voltei para a mesa e também voltei para o trabalho.

Deixei o café esfriar e também entrar em contato com o ar (sim, pois todos sabem que dentro de uma garrafa térmica só existe café e vácuo).

Depois de algum tempo, decidi que estava na hora de saborear o cafézinho pré-almoço.

Dei um gole.

Era o café sem açúcar. Inverteram as garrafas hoje.

Meu dia acabou. Tudo o que quero no momento é deitar e chorar até dormir um sono sem sonhos, pois nem na realidade paralela de alucinações e criatividade sem limites que existe na minha mente enquanto durmo, quero continuar vivendo com isso. É uma sensação ruim, sabe? Um sentimento cinza. Uma vontade errada. Uma lembrança estranha.

Enfim, mais um momento para a lista de piores momentos da minha vida.

Vou falar para meu chefe que não consigo mais continuar trabalhando hoje. Expediente encerrado.

 

Um dos pulos do Gessinger

24 mar

“Trago sempre comigo a lembrança de um show desse ano. Mais na boca do que na memória: um dente de ouro. Tocávamos na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Lugar mágico, show ao ar livre, um mar de gente. No fim da primeira música, subi no praticável da bateria. Adorava me jogar de lá, a sensação de aterrissar no exato momento da última nota da canção é muito boa. Os saltos viraram uma marca dos shows, rendendo, até hoje, ótimas fotos. Nesse dia, não me dei conta de que havia um tirante de ferro ligando duas colunas, acima da bateria. No voo, dei, literalmente, de cara com o ferro. Quando pousei, uns três ou quatro dentes estavam esmigalhados. Cuspi os cacos e, não sei como, consegui levar o show até o fim. Só a adrenalina do palco explica. Lembro de pedir para reposicionarem uma das câmeras de TV que cobriam o show, a que estava no lado atingido. Nunca fiquei nu na frente de milhares de pessoas, suponho que a sensação não deva ser pior do que aparecer sem dentes.

No avião, voltando para casa, a dor era terrível. Para piorar a situação, era domingo e eu havia combinado de participar de um show do Lulu Santos. Sem chance de passar num dentista antes. Não queria cancelar, pois já havia rolado uns mal-entendidos entre a gente. Seria bacana participar do show. Toquei Parabólica, numa versão desproporcionalmente emocionada, pois, cada que vez que passava ar pelos dentes quebrados, eu via estrelas.

Retirei esse trecho do “Pra Ser Sincero – 123 Variações Sobre um Mesmo Tema”, um livro massa do Humberto Gessinger.

Por mais errado que seja, eu confesso que achei legal saber que ele conhece a dor de quebrar alguns dentes. Admiro o cara, acho foda os sons que ele faz, quando ele está no baixo as músicas parecem ter um outro sentido e até mesmo com blog ele manda bem. Legal poder compartilhar com o cara a horrível sensação de respirar com dentes quebrados. Poucas pessoas podem dizer que tem esse tipo de ligação com um artista que admiram.

No meu caso, quebrei alguns dentes ao cair de cara no asfalto depois de perder o controle da bicicleta. Isso renderá um post em algum momento da minha vida, espero.

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Mousepad

20 mar

Desde que migrei do desktop para o notebook estou usando mousepads improvisados. Já usei jornal de Domingo, já usei um livro de Java (que por ser da grossura de um videocassete me obrigava a deixar o braço numa postura escrota quando estivesse usando o mouse), já usei o boleto de alguma coisa que comprei no Submarino e já até usei revista de mulher pelada.

Recentemente, estava usando um conjunto de folhas sulfites.

Como podem ver, sou um cara simples. Não preciso de luxo para acessar a internet e ficar rindo de pessoas sendo imbecis ou assistindo vídeos da Carreta Furacão.

Precisei das folhas sulfites para fazer uns exercícios de Física e momentaneamente me vi sem mousepad. Aproveitei que estava no clima estudo, fiquei de pé na cadeira, peguei alguma folha sulfite já usada que estivesse guardada (não estava lá jogada de qualquer forma, juro) e elegi ela como meu novo mousepad.

A folha em questão era de algum exercício de Métodos Numéricos que fiz no semestre passado.

não, não é o mesmo mouse que explodiu na minha mão

não, não é o mesmo mouse que explodiu na minha mão

 

Aparentemente, sou estudioso, mas menos do que deveria.

 

 

A aranha e a agenda

23 jan

O ser humano é incrível. É fascinante ver o quão capazes somos de realizar maravilhas da engenharia e ainda assim sofrermos o diabo quando aquela impressora do escritório faz o que as impressoras normalmente mais fazem de melhor: não funcionar.

Desde sempre passamos por testes de sobrevivência e continuamos aqui. Usando de tudo o que temos para sobreviver a grandes catástrofes, a grandes predadores e ao Windows Vista, somos hoje os donos de nosso próprio mundo e estamos tendo o privilégio de criar a raça superior que irá nos fatiar sem dó quando chegar a hora da raça humana ser destruída.

Quando desenvolvedores cometerem o mesmo erro de Tony Stark e criarem uma Inteligência Artificial superior e então ela começar a se replicar e máquinas com habilidades de um samurai saírem nas ruas com suas Katanas fatiando mendigos, meu nome será lembrado e pelos 12 segundos que os humanos conseguirem sobreviver ao ataque, as pessoas pensarão em mim com esperança.

Depois todos estaremos mortos e esquecidos. Mas mesmo assim, todos saberão que um dia fui exposto a um grande perigo, lutei pela minha vida e sobrevivi.

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A história se tornou lenda, a lenda se tornou mito…

Era um daqueles dias que você não espera nada demais (esses são os dias mais perigosos). Estava sentado na frente do computador, muito concentrado em simular estar concentrado no trabalho e sozinho na sala.

Ao menos, era o que eu pensava.

Meus sentidos apurados me avisaram que eu estava em uma situação de risco e que se não quisesse ter um destino pior que o do garoto do vídeo do “Pintinho Piu”, deveria me preparar.

Entrei em modo Batalha e passei a me concentrar no meu lado esquerdo, já que as coordenadas que meus sentidos tinham me passado indicavam que o perigo vinha dali. Olhei e nada no mundo teria me preparado para o que vi.

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Uma aranha estava pendurada do meu lado.

Não sei quais eram as motivações dela, não sei quem a enviou e não sei o comprimento da teia que ela precisou fazer para descer lá do teto até mim, mas ela estava ali e eu precisava lidar com essa situação de uma maneira muito adulta.

Em 0,3 segundos eu estava de pé e com metros de distância entre mim e a aranha. Respirei fundo, avaliei a situação e pensei no que faria em seguida. Eu estava sozinho na sala, então não teria que me preocupar em explicar a alguém o que estava acontecendo e em meio a essa explicação a aranha aproveitar meu momento desconcentrado e me atacar (vários personagens já morreram por dar essa bobeira). Só precisava me focar em resolver aquilo para poder voltar para a minha mesa.

Não me orgulho disso, mas percebi que precisava me livrar daquela aranha de uma vez por todas. Era isso ou ficar o resto da vida achando que a qualquer momento ela voltaria para terminar o serviço. Eu não teria mais nenhum momento de paz.

OK, eu já sabia o que precisava ser feito, agora precisava decidir como fazer isso.

Olhei ao redor procurando a resposta e meu cérebro bem treinado em questões estratégicas de tanto jogar Age Of Empires me deu uma resposta que ao mesmo tempo era fácil e desafiadora.

Fui até a mesa de um colega de trabalho, peguei uma agenda que ela usa para descrever o quão sem emoção são os dias dele, me encaminhei até minha mesa e parei perto de onde a aranha ainda estava pendurada. Eu estando de pé, ela estava pendurada mais ou menos na altura do meu peito.

Nesse momento, ela começou a subir. Os sentidos dela devem a ter avisado sobre o perigo que ela estava correndo. Foi um momento crucial para mim. Mais uma vez tive a chance de deixar ela escapar. Optei por não fazer. Prefiro não passar a vida olhando por cima do ombro em busca de um antigo inimigo.

Nesse momento, ela, surpreendentemente rápida, já tinha subido uma boa altura e estava por cima da minha cabeça. E então, fiz o que precisava ser feito.

Fechei os olhos, com a mão esquerda toquei no Mjölnir que carrego no pescoço e fiz uma prece rápida a Thor. Com a mão direita, abri a agenda e me preparei para tomar impulso no chão. Agora com as duas mãos na agenda, tomei impulso, pulei em direção a aranha e seguindo as orientações da minha mente acostumada a fazer contas nas aulas de Cálculo, fechei a agenda no exato momento em que a aranha estava entre as páginas.

foi algo assim

foi algo assim

 

Jamais me esquecerei do som. É um som que se estivesse no meu HD, eu nomearia o arquivo como “Estou_Em_Paz.mp3″ e o ouviria todo dia antes de dormir. Talvez tenha no Spotify.

Já de volta ao chão e com a missão cumprida, olhei fixamente para a agenda fechada e tomei a decisão de não abrir ela em busca da aranha morta. Foi por questão de respeito. Não preciso tão avidamente ver o cadáver de um inimigo. Saber que não preciso mais me preocupar com ele já me basta.

Joguei a agenda na mesa do cara e nunca disse a ele o que aconteceu.

 

Finais interpretativos

9 jan

 

Lembro de não estar entendendo muito bem o motivo das pessoas estarem discutindo vorazmente o final de Inception e de darem tão pouca atenção ao restante do filme. Baita filme massa e a galera só queria saber sua opinião sobre o final. Como se o restante do filme não tivesse importância sem um bom final.

De certa forma, é compreensível. Quantos filmes e quantas séries (Lost, estou olhando pra você) não tiveram seus brilhos reduzidos pelo final ter sido inferior a todo o resto? Hoje reconheço essa importância, na época nem tanto.

“A cicatriz não incomodara Harry nos últimos dezenove anos. Tudo estava bem.”

As histórias precisam de um fechamento e as pessoas precisam de um final. É inconcebível terem assistido Inception, curtido o filme e ficarem em dúvida com o final. Elas precisavam de um final definitivo e o filme não deu isso a elas. Por isso precisavam discutir. Precisam mostrar seus pontos, discordar de argumentos contrários ou até mesmo se convencerem por outra pessoa. O filme precisava de um final.

Lembro de ter assistido, curtindo muito, chegar no final, ver a cena do peão rodando, entender o que significava ele não cair e começar a torcer para o maldito cair logo antes que a cena acabasse. A cena acaba com o peão ainda fazendo o que peões normalmente fazem.

A cena não te dá certeza alguma, você precisa fazer o final. Odiei o Nolan por isso, mas aceitei o desafio e fiz o que ele propôs. Pra mim, o peão cai. Foi o final que escolhi. O Rafael de 10 anos no futuro pode escolher outro final. Ou o Rafael de 10 anos no futuro pode ter tanto dinheiro a sua disposição que estará se divertindo tanto pelo mundo que nunca mais pensará nesse filme.

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o rafa do futuro

 

Acabei passando a imagem de não gostar desses finais interpretativos, mas veja só, acho que preferia ter tido mais um deles.

Em Batman – The Dark Knight Rises, o filme acaba com o Batman, até então, morto e com o Alfred passando umas férias longe de Gotham. O Alfred está tomando um café e em algum momento ergue a cabeça, olha para a frente e vê algo que prende sua atenção. Eu provavelmente teria explodido e jurado ódio eterno ao Nolan (sempre ele), mas o final seria formidável se acabasse nessa cena. Diferente de Inception, ele preferiu continuar e não deixar dúvidas. Fez questão de mostrar o Bruce Wayne também tomando um café um pouco mais a frente do Alfred. Mesmo se o Bruce não aparecesse, você iria saber o que significava aquela expressão no rosto do Alfred e na real, não mudaria nada, mas de alguma forma, fez toda a diferença.

Tem um Nerdoffice em que o Jovem Nerd comenta sobre isso:

(pule para 13:01)
 

Estou falando desse negócio de finais interpretativos porque hoje (quando comecei a escrever esse post) lá pelas 2 da manhã minha namorada quis discutir o final de A Piada Mortal e acabei pensando em tudo isso por consequência.

Não sei se gosto de finais interpretativos, mas ainda assim sou obrigado a lidar com eles e meu jeito é sempre o jeito certo, então só para constar:

Inception: peão cai.
Batman – A Piada Mortal: Batman mata o Coringa (e sim, a Barbara Gordan é estuprada).
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ABS!

 

Cuidado com minha orelha, mãe

7 dez

Eu não gosto de cortar cabelo. Tudo nessa tarefa é desagradável. Sair de casa, ir até um lugar desagradável, ser obrigado a manter conversas desagradáveis, ver pessoas desagradáveis, confiar sua vida a uma pessoa que geralmente você nem conhece de verdade, pagar por tudo isso e ainda ficar se coçando o resto do dia pelos fios de cabelo que entraram na sua roupa. Não é legal.

Infelizmente, ainda não consigo controlar essa parte do meu organismo e se eu não quiser que meu cabelo se enrole em meu pescoço enquanto durmo e me sufoque até a morte ou pior, que me confundam com um fã do Iron Maiden, preciso mantê-lo cortado.

Só que existe uma distância absurda entre meu cabelo estar me incomodando e eu criar coragem de ir cortá-lo. Entre um e outro, existe algo que chamo de “mãe, corta esse pedaço do meu cabelo aqui”.

Ela não gosta de fazer isso, mas é minha mãe e o amor que tem por mim a obriga a fazer coisas absurdas (como por exemplo, fazer arroz vegano para minha namorada vegana comer). Sempre reclama, mas sempre aceita cortar o meu cabelo.

Acabei de pedir para ela fazer isso. Numa parte um pouco mais complicada do corte, as lâminas da tesoura chegaram perigosamente perto da minha orelha esquerda. Meu cérebro treinado reagiu e mandou um:

 – Ow, cuidado aí. Não quero ficar igual aquele irmão do Zezé di Camargo e Luciano!

A vida é sensacional, não? Tudo o que sei sobre esse caso do irmão do Zezé di Camargo e Luciano (que aliás, estou tratando como se fossem uma única pessoa) se limita a um Linha direta que assisti quando era criança. Quem iria imaginar que anos depois eu faria uma referência a isso enquanto minha mãe cortava um pedaço do meu cabelo?

A vida é fantástica.

Sim, minha mãe riu.

 

 

Fiquem calmos. Minhas duas orelhas estão inteiras e perfeitas (diferente da sua mãe).