Terça Histórica #1 – A Batalha das Termópilas

17 abr

Se você já se deu ao trabalho de ler algum outro texto presente nesse blog, deve ter percebido que (por mais gay que isso soe) gosto dos espartanos.

Toda a tradição do treinamento espartano para formar seus guerreiros, me fascina, mas não falarei sobre isso hoje.

A Batalha das Termópilas

480 a.C.

Existia um Persa chamado Xerxes. Ele era filho de um outro Persa chamado Dário I, que por acaso comandava um exército gigantesco. O tal do Dário I morreu e o comando do exército foi parar nas mãos do Xerxes. Ele poderia ter dado meio volta e ido passar alguns anos andando pelo mundo, mas não. Quis continuar o que seu pai começou. Acho justo.

O que o Dário I queria? Basicamente, conquistar a Grécia.

Historiadores nunca entraram em um acordo sobre a quantidade exata de guerreiros do exército Persa. A maioria diz ter sido cerca de 250 mil. Um número absurdo. Com um exército de 1/4 de 1 milhão, Xerxes achou que poderia tomar facilmente tomar Atenas, principal Cidade-Estado Grega. Era esse o plano.

Enquanto Xerxes e seu exército estavam percorrendo o caminho até Atenas, Lêonidas, rei e comandante espartano, se aliou com outros líderes de outras Cidades-Estados e decidiram bloquear o caminho dos Persas. Ao todo, os numeros dos gregos eram de 7.000 aliados das outras cidades e 300 espartanos.

Como um exército tão pequeno seria capaz de bater de igual pra igual num exército de 250 mil homens? Para Lêonidas, treinado desde garoto para situações como essa, foi simples.

OK, você tem que enfrentar 10 homens. Se puder escolher, vai enfrenta-los no meio da rua, onde todos podem te atacar ao mesmo tempo, ou vai enfrentá-los em um corredor estreito, onde você poderá enfrentar um por vez?

Lêonidas sabia que o grandioso exército Persa seria obrigado a passar pelas Termópilas e as Termópilas por sua vez, eram basicamente, uma fenda numa montanha. Ou seja, o local ideal para um exército pequeno, mas com excelentes guerreiros, enfrentar um exército grande.

Quando Xerxes chegou nas Termópilas e viu que tinha “alguns” gregos por ali, enviou um mensageiro. Ele intimou os gregos a baixarem armas e deixaram a passagem livre. Lêonidas respondeu com um simples “Venha buscá-las”. O mensageiro então fala que os números do exército Persa eram tão grandes que as flechas eram capazes de cobrir a luz do sol, um dos gregos responde com “Bem, então teremos que lutar na sombra”. Xerxes esperou quatro dias e após perceber que os gregos não sairiam de lá sem lutar, ordenou um ataque e a batalha das Termópilas começava.

Os gregos lutavam em formação de Falange. Todos lado a lado, com os escudos na altura sulficiente para proteger seus corpos e com suas lanças apontadas para os inimigos.

Se um deles morresse, a Falange estava seriamente comprometida.

Ondas e mais ondas de guerreiros Persas bateram de encontro com a falange grega, que de início, tinha apenas espartanos em sua linha de frente. Logo de ínicio ficou claro que os gregos não estavam ali a toa. No dia seguinte, os espartanos ainda resistiam bravamente e os Persas continuavam a ser massacrados, Xerxes decidiu enviar o seu precioso exército de Immortais. A elite de exército Persa, que ganhou esse nome, pois a cada morte, um outro rapidamente tomava o lugar e o exército estava sempre em formação, como no início da batalha.

O grande problema dos gregos, foi o grande mal da humanidade. Os traidores. Esses malditos.

Um traidor particularmente maldito, chamado Ephialtes, desertou das linhas gregas, foi até o acampamento Persa e falou para o Xerxes sobre uma passagem escondida nas Termópilas. É claro que um guereirro como Lêonidas tinha conhecimento sobre a passagem e deixou alguns gregos para tomarem conta dela, mas pegos de surpresa, eles pouco puderam fazer.

Um exército em menor numero, atacado por dois lados, não sobrevive por muito tempo. Lêonidas sabia disso e mandou todos os gregos não-espartanos embora. Restaram apenas espartanos e alguns poucos gregos não-espartanos que honraram a lança, o escudo e a espada que usavam.

Não foi uma batalha de moças. Os Persas empurraram os gregos para uma parede e o aço cantou. Os não-espartanos não duraram muito tempo. Os espartanos, guerreitos por natureza, treinados desde os seus três anos de idade, ensinados a não temer a dor e muito menos a morte, estavam bravamente resistindo a todo o exército Persa. Num certo momento, Lêonidas, o grande rei espartano, é morto. Os Persas por motivos óbvios, queria pegar seu corpo e colocar sua cabeça numa estaca. Talvez tenham se esquecido que Lêonidas era um rei espartano e seus guerreitos protegeriam o corpo do seu líder com o pouco tempo de vida que lhes restavam.

Dizem que os espartanos com os escudos já esquecidos (prefiro imaginar que foram usados para explodir cabeças de Persas), lutaram até que suas lanças quebraram e após isso acontecer, lutaram até que suas espadas também quebraram e após isso acontecer, lutaram com seus próprios punhos até que o ultimo nobre espartano foi morto por uma flecha covarde de algum covarde Persa.

Não se pode negar que os espartanos elevaram a palavra “lealdade” a um nível poucas vezes visto.

Claro que a guerra não acabou aí. Isso foi apenas uma batalha. Depois de sofrer uma boa surra dos gregos, os Persas continuaram seu caminho. Não por muito tempo…

Existe um pequeno documentário do Discovery Channel sobre essa batalha, vale a pena assistir.

Também vale a pena assistir “300”. É uma versão hollywoodiana sobre essa batalha, mas vale cada minuto.