Tomb Raider: de sobrevivente a heroína

7 maio

Acho que só joguei uns dois jogos da série Tomb Raider e mais importante do que a história, gameplay, gráfico ou qualquer outra coisa,  eram os peitos da Lara Croft. Ela era uma mulher protagonista de um jogo jogado por um público 95% masculino. Nada mais justo que seus peitos recebem uma atenção dobrada dos programadores.

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Mesmo em seus primeiros jogos, em que a tecnologia não era das melhores e o gráfico dos jogos da época necessitasse de um certo arredondamento, o par de seios de Lara Croft roubava a atenção de todos. Com suas duas pistolas e sua pose de “mulher machona”, ela resolvia qualquer situação.

Os anos se passaram, a tecnologia evoluiu, os peitos de Lara continuavam importantes e alguém, gosto de imaginar que seja um anjo enviado diretamente por Deus, teve a brilhante ideia de rebootar a série e contar como foi a primeira grande aventura de Lara Croft. Sério, foi uma excelente ideia.

Se fosse bem feito, agradaria os velhos fãs, poderia ganhar novos fãs e ainda dar uma humanizada na personagem. Tirar a pose de “mulher-macho-resolvo-tudo-sou-foda” e deixar a personagem mais real. Algo parecido com aquilo que o Nolan fez nos filmes do Batman.

Fizeram o jogo e deuses os abençoe, acertaram.

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Desde o dia de lançamento eu tenho visto excelentes comentários sobre o jogo. Como estava ocupado zerando Gears of War e vivendo no mundo de Skyrim, demorei para comprar o novo Tomb Raider. Duas semanas atrás, comprei e entendi o que todos estavam dizendo: o jogo é incrível.

A história é bem contada e interessante, a jogabilidade é fluída e fácil de se dominar, a personagem é boa (muito boa) e faz com que você se importe com ela, os inimigos são maus e é ótimo matá-los.

No começo, a Lara escorrega, caí e se corta, esbarra em algo e se machuca, vai realizar um golpe contra um inimigo, calcula errado e erra, toma decisões precipitadas acaba piorando as coisas… Lembram daquilo que falei sobre a personagem, antes desse jogo, ser uma mulher durona que resolve qualquer coisa? Bom, ela ainda não é essa mulher.

Ela é apenas uma garota de vinte e poucos anos que acabou tendo que se virar praticamente sozinha em uma ilha deserta cheia de inimigos. O jogo dá a entender que ela já teve algumas aulas de sobrevivência e apesar de tudo, ela é uma Croft, então na dificuldade, ela dá seu jeito e se vira.

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Ao término da primeira missão, ela está ferida, suja, perdida, assustada, sentada ao lado de uma fogueira precária e eu acabei me perguntando como diabos aquela garota, aparentemente frágil, iria se tornar a Lara Croft. Depois de umas boas horas de jogo, eu obtive minha resposta.

Eu me preocupei com a menina Lara. Eu passei pelas dificuldades junto com ela. Eu enfrentei alcateias de lobos junto com ela. Eu cacei cervos junto com ela. Eu matei bandidos que, sem pensar duas vezes, a matariam ou a estuprariam (talvez as duas coisas, não necessariamente nessa ordem). Eu escalei montanhas, explodi coisas e desvendei mistérios, tudo isso, junto com ela. Juntos, eu e Lara, vivemos uma aventura. Eu, dessa vez sozinho, presenciei o nascimento de uma sobrevivente.

No final do jogo, ela ainda é aquela garota de vinte e poucos anos, mas já um pouco mais amadurecida e experiente, cheia de cicatrizes e pronta para fazer o que for preciso. Dentre as armas do jogo, dei preferência ao arco, mas em uma das cenas finais, após derrotar um oponente, ela se abaixa no chão e pega algo: uma pistola. Naquele momento, pela primeira vez, Lara Croft aparece com duas pistolas, uma para cada mão que, depois dos peitos, é sua marca registrada.

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O jogo é excelente e vale a pena ser jogado. Eu me diverti com ele e gostei dessa nova Lara Croft. Ela é tão capaz quanto a outra e muito mais gatinha.

DICA: quando você jogar e for caçar cervos, use o arco e escolha uma flecha explosiva. É lindo mirar no coitado do cervo e explodi-lo em seguida.