Um novo fone de ouvido

23 out

Quando decidirem fazer um filme sobre minha vida (acredite, esse filme existirá), eu exijo apenas 3 coisas:

1) O filho do Will Smith não poderá estar nele. Nem que seja para interpretar o filho do Will Smith. Não quero.

2) O Nicolas Cage será escolhido para interpretar o papel principal (eu). Até lá, os efeitos visuais para rejuvenescimento estarão ainda melhores e ele poderá se passar por mim.

3) O meu grande inimigo será um exército de fones de ouvido.

eu curtindo um som (Raça Negra)

eu curtindo um som

 

Desde os tempos em que os deuses andavam entre nós nesse mundo, eu sofro com fones de ouvido demoníacos.

Já me queimei por causa deles, me cortei, tropecei no fio e cai no chão, enrosquei eles em alguma mesa e quase tive o pescoço arrancado pelas leis da física, já sofri dores equiparáveis a dores do parto (nunca pari um filho (me falta um útero para começo de conversa), mas imagino a dor) por causa deles e já gastei tanto dinheiro que se por um acaso eu tivesse nascido surdo, poderia pagar uma cirurgia para resolver o problema de audição e ainda curtir os frutos de uma aposentadoria precoce.

Tenho uma gaveta apenas com restos mortais de fones que passaram por minha vida nos últimos anos. O motivo? Não tenho certeza, mas talvez seja para apreciar o atual estado desprezível de todos aqueles malditos que um dia me fizeram sentir ódio e hoje estão ali em pedaços. Ou talvez seja para um plano mais complexo.

Não entrarei em detalhes, pois não gosto de falar de meus fracassos, mas dia desses fiz um híbrido de fones de ouvido. Peguei os componentes eletrônicos de um e os inseri na armação de outro. De certa forma, deu certo. Estava tudo, inclusive o microfone, funcionando e como eu já estava acostumado com a armação, nem esquentei a cabeça com isso.

O único problema: a saída de som (não sou Tony Stark e não manjo dos nomes) eram muito pequenas e por mais alto que o volume estivesse, o som não era alto o bastante para me fazer temer pela perda de audição. Sim, o medo de ficar surdo é meu parâmetro para volume.

Ou seja: tive que comprar um outro.

Comprei, mas não foi qualquer um. Dessa vez cheguei na loja derrubando produtos das prateleiras, dando tapas na cara da primeira vendedora que vi e gritando:

– Eu quero o melhor fone de ouvido da loja! Não me importa o preço, mas me traga ele.

Entre soluços que anunciavam um choro, a vendedora foi buscar o tal fone de ouvido. Voltou minutos depois com uma caixa do tamanho de uma cesta básica, puxou um canivete de algum lugar da perna esquerda, cortou fitas e a caixa de abriu. Dentro dela se encontrava um fone de ouvido respeitável. Enfiei cédulas dentro do sutiã da vendedora, coloquei a caixa na cabeça e saí da loja.

foi tipo assim

foi tipo assim

 

Cheguei em casa e já fui logo tirando o fone de ouvido de dentro da caixa. Com o peso do fone gigantesco, meu pescoço estalou de uma maneira que parecia uma daquelas catapultas acertando os muros de Minas Tirith na Batalha dos Campos de Pelennor. Me equilibrando para suportar o peso sem ter que cair no chão, coloquei para tocar a música que uso para testar a qualidade de fones de ouvido: Sweet Child O’mine.

A qualidade do som era tão boa que era possível ouvir os fios de cabelo do Slash fazendo contato com a cartola dele. Nunca mais precisarei comprar outro fone de ouvido.

Acho que estou apaixonado por ele. Já ouvimos muitas coisas juntos. Até dormimos de conchinha, dia desses. Ele me completa.

Apenas para te ajudar a imaginar o gigantesco fone de ouvido, estude essa imagem:

9701_shadow_of_the_colossus (1)

juro que é desse jeito