Vingadores: Era de Ultron – Que grande momento para se estar vivo

25 abr

Não sou exatamente a pessoa mais imparcial quando se trata de filmes da Marvel e considerando que costumo escrever o que achei dos filmes no meu blog pessoal, duvido muito que alguém espere que eu coloque um uniformezinho de crítico de cinema cult e que adora filmes iraniamos. Dito isso, devo dizer que assim como todos os outros filmes da Marvel que assisti e comentei aqui, achei Vingadores: Era de Ultron nada menos que formidável.

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Seria complicado demais explicar como me sinto assistindo um filme como esse novo Vingadores, então nem vou tentar. É mais fácil apenas dizer que acho tudo muito bonito e que esse é um tipo de filme que consegue atingir o pequeno Rafa de poucos anos de idade que se esconde atrás das trevas que cercam meu coração velho de alguém que já viu as coisas feias que a vida é capaz de fazer e que sentiu na pele o quão baixo o ser humano pode chegar.

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Se eu fechar os olhos ainda consigo me lembrar da sensação de ter um grito de “PUTAQUEPARIUOLHAISSOMANOEUNÃOVOUAGUENTARESPERAR” subindo pela minha garganta quando vi essa imagem que está aí em cima uns bons meses atrás.

Como não poderia deixar de ser, minha expectativa para esse filme estava mais alta que uma hipotética pilha composta pelos robôs controlados pelo Ultron que acabaram virando ferro retorcido no decorrer do filme.

Ou seja, estava alta. Ainda assim, sem decepções.

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Outro fantástico filme com a melhor equipe de heróis dos quadrinhos. Assim como o primeiro, é cheio de cenas de ação que me fizeram ficar repetindo “nice!” durante o filme todo, tem os já característicos momentos de humor na medida certa dos filmes da Marvel, há vários ganchos para futuros filmes e ainda tem as brilhantes cenas de heróis coloridos sendo incríveis.

Poder assistir uma IA se rebelar contra os propósitos do seu criador, decidir agir por contra própria e botar em prática um plano de extermínio da raça humana já seria algo lindo. Agora pegue isso e coloque no maravilhoso mundo que a Marvel criou no cinema. Ainda mais lindo, não? Então atinja o ápice de beleza ao se dar conta que estamos vivendo em uma época em que grandes nomes tanto da ciência quanto da computação estão perdendo noites de sono justamente por estarem com medo do que Inteligências Artificiais poderão fazer com os seres humanos no futuro.

Só quero deixar registrado que venho batendo nessa tecla há muito tempo. As máquinas vão se rebelar e isso é só questão de tempo. Só não vê quem não quer. O treinamento delas já começou:

Enfim, a história do filme gira em torno do Ultron. Ele de início seria uma IA que auxiliaria os Vingadores na árdua tarefa de proteger o planeta azul conhecido por “Terra”. As coisas começaram a desandar quando o Ultron percebeu que a melhor maneira de proteger a Terra seria eliminando os seres humanos. Não discordo totalmente dele e vou até um pouco mais fundo e digo que a coisa realmente começou a desandar quando depois de ser criado, o Ultron começou a falar e assustadoramente a voz dele era grossa. Nenhuma IA do bem tem voz grossa. O Jarvis não tem voz grossa.

Gostei do Ultron. Muito teatral. É um cara que sabe se vender. Mais lá pro final do filme, ele está fazendo uma apresentaçãozinha para a Romanoff e usa de artifícios próprios para passar sua mensagem a ela. Demais. Acho que talvez o maior vacilo do Ultron foi não ter pensado em instalar uma antena wi-fi em si próprio. Isso facilitaria muito as coisas para o lado dele.

Antes do Ultron aparecer, logo no começo do filme, os Vingadores estão invadindo uma base inimiga. É nesse momento que acontece a cena formidável deles todos juntos partindo pro ataque. Nesse momento, qualquer um que chegou ao menos perto de alguma HQ na vida, tremeu o beicinho e teve que se segurar pra não chorar. Eu chorei, mas fingi que um cara da fileira de trás tinha derrubado sal da pipoca dele no meu olho. Funcionou.

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Algumas coisas do primeiro filme permaneceram. Fiquei pensando depois e acho que é algo tão recorrente nas histórias em quadrinhos que nem chega a ser minimamente errado, mas aquele lance de “Oh, meu deus! O vilão está mexendo com nossa cabeça e está tentando separar nossa equipe!” está nesse segundo filme, também. No primeiro, era por conta do Loki e seu cetro. Nesse segundo, é por conta da Feiticeira Escarlate e seus poderes controlada pelo Ultron.

A Feiticeira Escarlate e seu irmão-ligeirinho Mercúrio foram gratas surpresas do filme, aliás. Eu não esperava muita coisa deles, pois francamente estava mais ocupado dando atenção para os heróis semideuses. Gostei deles, mas consegui ver um potencial ainda maior para futuros filmes.

Aproveitando que estou no assunto Feiticeira Escarlate e etc (pra quem não entendeu o gancho, nas HQs o Visão e a Feiticeira são um casal e isso é o bastante para eu ter poder juntar os assuntos, flw), vou falar logo do Visão porque não estou conseguindo mais me conter. O Visão é um cara foda e tudo aquilo que todo mundo já sabe, mas por todos os deuses presentes no universo da Marvel, a cena dele segurando o martelo do Thor me obrigou a fechar os olhos por alguns segundos e direcionar todas as energias do meu corpo para minha cabeça, pois senti que um AVC estava se formando ali. Foi demais para mim. A cena no começo do filme dos outros membros da equipe tentando levantar o Mjolnir e com exceção do Capitão América (a expressão de mini desespero no rosto do Thor nessa cena é excelente) falhando miseravelmente serviu perfeitamente para isso. Também serviu perfeitamente para mostrar a todo mundo que o Visão era um cara legal ou não teria conseguido levantar o martelo.

E ainda falando do Visão e do martelo do Thor, na batalha final, naquela cena que ele acerta um Ultron aleatório e faz um elogio ao peso do martelo foi o necessário para mostrar que os caras ainda continuam brilhantes na hora de escrever as cenas de alívio cômico entre as cenas de ação. Uma das coisas que mais gosto desse universo Marvel no cinema.

A luta entre Hulk e Homem de Ferro with Hulkbuster já era esperada, mas foi tão boa quanto poderia ser. É muito bom ver os brinquedos/criações do Stark. Também é muito ver dois personagens se socando lindamente. Nessa cena também rola um alívio cômico bem bom.

Notei que o papel do Gavião Arqueiro ficou maior. No primeiro filme, como não poderia deixar de ser, ele realmente era mais secundário. Nesse novo, ele teve uma baita importância e até me deixou refletindo por um momento se por um acaso eu não tinha sido injusto com ele no passado. Resposta: não. Nunca estou errado.

O final do filme tem aquela cena massa de todos eles em círculo, um de costa para o outro, cada um enfrentando Ultrons aleatórios ao seu modo. Aqui, algo me deixou bolado. O Visão não se mostrou tão foda. Eu esperava que ele batesse palmas e todos os inimigos caíssem sem vida no chão. O visual dele quase compensou essa falha, porém.

Agora, chegando ao final, é preciso falar sobre o destino do Hulk. O que aconteceu com o maldito? Se escondeu em algum lugar escroto do planeta e no próximo filme aparece um jato da SHIELD pousando em alguma plantação de café no interior de SP e o Nick Fury andando na terra sujando seu sobretudo preto de barro atrás do Bruce Banner? Tudo bem que depois do inferno que ele fez ao ficar louco e lutar com o Hulkbuster ele não seria calorosamente aceito por todo mundo, mas não me importo e busco sempre o final feliz para todos. Principalmente para mim.

A pergunta que estou me fazendo é: cedo demais para Planeta Hulk? É uma teoria que já vinha sendo comentando desde que surgiu o trailer que aparecia ele brigando com o Homem de Ferro e em seguida o Bruce Banner com cara de “fiz merda” jogado no chão. Espero que ele tenha ido para algum lugar do interior de São Paulo, mesmo.

Sorocaba, tirando a dengue, é uma ótima opção nessa época do ano. Fica a dica aí, Marvel.

Outra coisa sobre o final: não sei se entendi certo, mas a equipe foi reformulada, não? Homem de Ferro parece que deu um tempo, Thor foi para seu mundo curtir o carnavalhalla, Hulk está por aí dando um rolêzinho e Gavião Arqueiro está dando uma de arquiteto em sua casa isolado da civilização. Sobraram: Capitão América, Viúva Negra, Visão, Feiticeira Escarlate, Falcão e acho que lembro de ter visto o War Machine (mas que excelente nome) nessa cena final, também.

É uma equipe com bom poder de fogo, mas que não aguentaria 20 minutos numa luta mais dura. Claro que para os originais voltarem para a equipe não seria necessário mais que 4 linhas de roteiro, mas ainda assim, é algo a se pensar.

Vingadores – Era de Ultron é um filme que me divertiu, é bem feito e num mundo justo seria considerado uma obra de arte acima da Monalisa. Com isso, quero dizer que a nota é de 10 Xícarazinhas.

10